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    Ushuaia Vale a Pena? O Que Fazer e Quando Ir

    Ushuaia é tudo isso que o Instagram mostra? Relato real dos passeios, roupas, seguro viagem e o que ninguém conta sobre a cidade do fim do mundo.

    Ushuaia é realmente tudo isso? Antes de conhecer a cidade, essa foi uma das perguntas que eu mais me fiz.

    Nas redes sociais, Ushuaia parece quase um cenário de filme: montanhas enormes, neve, lagos, geleiras, trilhas, barcos navegando pelo Canal Beagle e aquela sensação de estar literalmente no fim do mundo.

    Mas uma coisa é ver tudo isso em fotos e vídeos. Outra é estar lá.

    Depois de conhecer Ushuaia e fazer alguns dos passeios mais conhecidos da região, posso dizer que minha resposta é: sim, Ushuaia é tudo isso — mas não exatamente da maneira que o Instagram mostra.

    A cidade é muito mais do que neve e paisagens bonitas. E, ao mesmo tempo, existem algumas expectativas que podem fazer uma pessoa se decepcionar se chegar ao destino imaginando que encontrará neve em todos os cantos, temperaturas congelantes o tempo inteiro e uma aventura extraordinária em cada esquina.

    Neste post, vou contar como foi minha experiência em Ushuaia, quais passeios fiz, o que realmente achei de cada um e o que eu gostaria de saber antes de viajar.

    Neste post você vai encontrar:

    • Onde fica Ushuaia
    • Ushuaia é realmente tudo isso?
    • Trem do Fim do Mundo: é tudo isso mesmo?
    • Navegação pelo Canal Beagle
    • Glaciar Martial: vale a pena?
    • Laguna Esmeralda: a aventura começa antes de chegar
    • Roupas para Ushuaia
    • Seguro viagem para Ushuaia
    • Chip internacional: vale a pena?
    • Museu do Presídio: o passeio que foge do óbvio
    • Afinal, Ushuaia vale a pena?
    • Quanto tempo ficar em Ushuaia?
    • Dá para combinar Ushuaia com outros destinos da Argentina?
    • O Instagram exagera sobre Ushuaia?

    Onde fica Ushuaia?

    Ushuaia está localizada na Argentina, na região da Terra do Fogo, no extremo sul do país.

    É conhecida mundialmente como “a cidade mais austral do mundo”, e essa característica por si só já faz parte do encanto do destino.

    Quando comecei a pesquisar uma viagem para Ushuaia, confesso que o fato de estar tão distante de tudo também me atraía.

    Não era simplesmente conhecer mais uma cidade argentina.

    Era conhecer um lugar que transmite aquela sensação de estar chegando ao limite do mapa.

    E talvez seja justamente essa sensação que torne Ushuaia tão especial.

    A cidade é cercada por montanhas, florestas, lagos e pelo Canal Beagle. Dependendo da época da viagem, o cenário pode mudar completamente.

    No inverno, a neve transforma a região.

    Em outras épocas do ano, as trilhas, lagos e montanhas ganham outro protagonismo.

    Por isso, uma das primeiras coisas que percebi é que Ushuaia não precisa necessariamente ser uma viagem exclusivamente para quem quer ver neve.

    Ushuaia é realmente tudo isso?

    Depois de conhecer o destino, eu diria que sim.

    Mas existe um detalhe importante: Ushuaia não é um destino que você aproveita apenas olhando a paisagem.

    Grande parte da experiência está nos passeios.

    E foi fazendo esses passeios que comecei a entender por que tanta gente se apaixona pela cidade.

    Eu conheci o Trem do Fim do Mundo, fiz a navegação pelo Canal Beagle, conheci o Glaciar Martial, fiz a trilha da Laguna Esmeralda e também visitei o Museu do Presídio.

    Cada experiência mostrou um lado completamente diferente de Ushuaia.

    E essa variedade foi uma das coisas que mais gostei.

    Trem do Fim do Mundo: é tudo isso mesmo?

    O famoso Trem do Fim do Mundo é provavelmente uma das imagens mais associadas a Ushuaia.

    Antes de viajar, eu tinha aquela expectativa de que seria um passeio bonito, mas talvez apenas turístico.

    E sim, existe uma parte bastante turística.

    Mas o contexto histórico torna a experiência muito mais interessante.

    O trem percorre uma antiga rota relacionada ao presídio de Ushuaia, e durante o passeio é possível conhecer um pouco da história dos antigos presos que eram enviados para aquela região.

    A paisagem também ajuda muito.

    Você passa por áreas de floresta, rios e montanhas, e existe uma sensação diferente em saber que está viajando por uma região tão extrema.

    Eu faria novamente?

    Sim.

    Principalmente para quem está conhecendo Ushuaia pela primeira vez.

    Mas eu não colocaria o trem como o único motivo para visitar a cidade. Para mim, ele funciona melhor como parte de um roteiro que combina história, natureza e aventura.

    Navegação pelo Canal Beagle

    Se existe um passeio que considero indispensável em Ushuaia, é a navegação pelo Canal Beagle.

    E aqui o Instagram não exagerou.

    Estar dentro do barco, cercada pelas montanhas e olhando a cidade de outro ângulo é uma experiência completamente diferente.

    O Canal Beagle também é conhecido pela presença de animais marinhos e aves, dependendo do roteiro e das condições do dia.

    Mas, para mim, o mais impressionante foi o conjunto.

    Montanhas.

    Água.

    Céu.

    Frio.

    E aquela sensação de estar em um lugar muito distante de casa.

    É o tipo de passeio que eu acho difícil explicar apenas por fotos.

    Você precisa estar lá.

    E talvez esse seja um dos maiores problemas das redes sociais: elas mostram uma imagem bonita, mas não conseguem transmitir a dimensão real do lugar.

    Glaciar Martial: vale a pena?

    O Glaciar Martial foi outro lugar que conheci em Ushuaia.

    E aqui eu faria uma ressalva.

    É importante entender que o acesso e as condições do local podem variar bastante de acordo com a época do ano e o clima.

    Por isso, não dá para planejar o passeio esperando encontrar exatamente a mesma paisagem que aparece em uma fotografia vista na internet.

    A natureza não funciona como um cenário montado.

    E esse é um ponto que considero muito importante quando falamos de Ushuaia.

    Você pode chegar esperando uma determinada quantidade de neve e encontrar outra realidade.

    Pode esperar determinado clima e pegar outro completamente diferente.

    Por isso, minha recomendação é pesquisar as condições do destino na época específica da sua viagem.

    Laguna Esmeralda: a aventura começa antes de chegar

    A Laguna Esmeralda foi uma das experiências que mais me fizeram sentir que estava realmente vivendo uma aventura.

    Aqui não é simplesmente chegar, tirar uma foto e voltar.

    Existe a trilha.

    Existe o esforço.

    Existe o clima.

    Existe o terreno.

    E existe aquela expectativa de finalmente chegar à lagoa.

    O nome já entrega um pouco do que você encontra: a água tem uma coloração muito bonita e o cenário ao redor é impressionante.

    Mas eu colocaria a Laguna Esmeralda em uma categoria diferente dos passeios mais tranquilos de Ushuaia.

    Se você não está acostumado com trilhas, precisa considerar o nível de esforço, as condições climáticas e os equipamentos adequados.

    E essa é uma coisa que eu gostaria de reforçar para quem está planejando uma viagem para Ushuaia:

    não subestime o clima.

    Roupas para Ushuaia: não viaje pensando apenas na temperatura

    Essa foi uma das coisas que mais percebi durante a viagem.

    Quando pensamos em Ushuaia, automaticamente pensamos em frio.

    Mas escolher roupas para esse destino não significa simplesmente colocar o casaco mais grosso que você tem dentro da mala.

    Dependendo da atividade, você precisa pensar em camadas.

    Uma primeira camada confortável, uma camada de aquecimento e uma camada externa capaz de proteger contra vento e, dependendo da época, chuva ou neve.

    Para trilhas, também é importante pensar nos calçados.

    Um tênis comum pode não ser suficiente para determinados terrenos e condições.

    Em passeios de aventura, equipamentos adequados fazem diferença não apenas no conforto, mas também na segurança.

    E uma dica que vale para praticamente qualquer viagem de natureza:

    não compre tudo antes de pesquisar.

    Dependendo do seu roteiro, alguns equipamentos podem ser alugados no destino.

    Faça as contas antes de encher a mala de coisas que talvez você use uma única vez.

    E o seguro viagem para Ushuaia?

    Outro item que eu considero importante colocar no planejamento é o seguro viagem.

    Mesmo viajando para a Argentina, eu não gosto de tratar seguro viagem como algo dispensável.

    Principalmente em uma viagem que envolve trilhas, navegação, frio, deslocamentos e atividades ao ar livre.

    Não significa que alguma coisa vai acontecer.

    A ideia é justamente viajar sabendo que, caso aconteça algum imprevisto, você tem uma assistência para recorrer.

    Antes de contratar, vale comparar coberturas e verificar se elas fazem sentido para o tipo de viagem que você está fazendo.

    E aqui entra uma dica importante para quem pretende fazer trilhas ou atividades consideradas de aventura:

    Leia as condições da apólice e não escolha simplesmente pelo menor preço.

    Verifique assistência médica, cobertura para bagagem, atendimento durante a viagem e, principalmente, as regras relacionadas às atividades que você pretende realizar.

    Por esses motivos eu sempre fecho o seguro com a Real Seguro viagem, grande cobertura, melhores preços e melhor atendimento.
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    Chip internacional: vale a pena?

    Outro detalhe que muita gente deixa para resolver em cima da hora é a internet.

    Eu considero o chip ou eSIM internacional um daqueles itens pequenos que fazem uma diferença enorme durante uma viagem.

    Em Ushuaia, ter internet facilita bastante para consultar mapas, transporte, reservas, horários, localização de restaurantes e comunicação, sempre que saio do Brasil eu já compro meu eSim daAiralo, de todos que já havia comprado foi de longe o mais fácil de instalar, já chego no destino conectada, a internet é ultra rápida. Você pode fechar o seu nesse link com cupom: PATRIC28900

    E existe outro detalhe: se você estiver fazendo trilhas ou passeios, não conte exclusivamente com o celular para sua segurança.

    Baixe mapas e informações importantes antes de sair.

    Dependendo da atividade e da região, o sinal pode ser limitado ou inexistente.

    Internet é uma comodidade.

    Não deve ser seu único recurso de orientação.

    Museu do Presídio: o passeio que foge do óbvio

    Nem todo mundo coloca o Museu do Presídio entre os primeiros lugares do roteiro de Ushuaia.

    Mas eu gostei justamente por ser uma experiência completamente diferente das paisagens naturais.

    Depois de passar por montanhas, lagos e navegação, conhecer a história do antigo presídio ajuda a entender melhor como aquela região se desenvolveu.

    É um passeio para quem gosta de história e quer enxergar Ushuaia além das fotos bonitas.

    E, para mim, foi justamente essa mistura que tornou a viagem mais interessante.

    Ushuaia não foi apenas natureza.

    Foi natureza + história + aventura.

    Afinal, Ushuaia vale a pena?

    Depois de conhecer a cidade, minha resposta é sim.

    Mas eu faria uma ressalva:

    Ushuaia vale a pena para quem escolhe o destino sabendo o que vai encontrar.

    Se você está procurando uma viagem em que basta caminhar pelo centro, tirar algumas fotos e voltar para o hotel, talvez não consiga aproveitar todo o potencial do destino.

    Ushuaia pede um pouco mais.

    Pede planejamento.

    Pede disposição.

    Pede roupas adequadas.

    E, dependendo do roteiro, pede preparo físico.

    Em compensação, entrega experiências que ficam na memória.

    Quanto tempo ficar em Ushuaia?

    Essa é uma pergunta difícil porque depende muito dos passeios que você pretende fazer.

    Se a ideia for conhecer apenas os principais pontos turísticos, alguns dias podem ser suficientes.

    Mas se você quiser combinar navegação, trilhas, atrações históricas e outros passeios de natureza, eu reservaria mais tempo.

    Uma coisa que aprendi viajando é que tentar colocar tudo em poucos dias pode transformar uma viagem incrível em uma corrida contra o relógio.

    E Ushuaia é justamente o tipo de destino que merece ser aproveitado com calma.

    Dá para combinar Ushuaia com outros destinos da Argentina?

    Sim — e essa pode ser uma excelente ideia para quem está planejando uma viagem maior pela Argentina.

    Ushuaia pode ser combinada, por exemplo, com El Calafate, outro destino que conheci e que tem uma proposta completamente diferente.

    Enquanto Ushuaia mistura montanhas, trilhas, navegação e a experiência de estar no extremo sul, El Calafate é muito marcada pelos glaciares e pelo impressionante Perito Moreno.

    Foi em El Calafate que fiz um passeio de 4×4 com visita a sítios arqueológicos e jantar dentro de uma caverna.

    Também conheci o Parque Nacional Los Glaciares e fiz um minitrekking sobre o Glaciar Perito Moreno.

    E posso dizer uma coisa: se você gosta de destinos de natureza, colocar Ushuaia e El Calafate na mesma viagem pode transformar o roteiro em uma experiência completamente diferente.

    Também é possível pensar em outros destinos argentinos dependendo do tempo disponível e da época da viagem.

    O Instagram exagera sobre Ushuaia?

    Depois de conhecer Ushuaia, eu diria que não exatamente.

    O Instagram não inventou as paisagens.

    Não inventou as montanhas.

    Não inventou o Canal Beagle.

    Não inventou a Laguna Esmeralda.

    Não inventou a experiência de conhecer uma cidade tão distante no extremo sul.

    O problema é que as redes sociais mostram apenas uma parte da história.

    Elas não mostram necessariamente o cansaço depois de uma trilha.

    Não mostram o planejamento das roupas.

    Não mostram o custo dos passeios.

    Não mostram quando o clima muda seus planos.

    Não mostram que uma fotografia de neve pode ter sido tirada em uma época completamente diferente da sua viagem.

    E principalmente:

    não mostram como é estar lá.

    Por isso, se você está pensando em conhecer Ushuaia, minha recomendação é não desistir do destino por achar que as redes sociais exageram.

    Mas também não monte sua viagem baseada apenas no Instagram.

    Pesquise.

    Compare.

    Entenda a época do ano.

    Escolha os passeios de acordo com seu perfil.

    Prepare suas roupas e equipamentos.

    Faça um seguro viagem adequado.

    E deixe espaço para aquilo que nenhuma foto consegue prever.

    Porque, no meu caso, depois de conhecer Ushuaia, posso dizer que a cidade não me pareceu exagerada.

    Ela só é muito mais real do que parece nas fotos.

    E talvez seja justamente isso que faça o destino valer tanto a pena.


    📌 Salve este post para planejar sua viagem para Ushuaia

    Se Ushuaia está na sua lista de destinos, salve este conteúdo para consultar quando começar a montar seu roteiro.

    E se você gosta de viagens pela Argentina, vale também conhecer minha experiência em El Calafate, no Perito Moreno, além de outros conteúdos sobre destinos de neve e viagens internacionais que estou compartilhando aqui no blog.

    Porque viajar não precisa ser apenas chegar ao destino.

    É também entender o que realmente vale a pena, evitar perrengues desnecessários e aproveitar melhor cada experiência.

    Em minhas redes sociais sempre tem atualização e dicas em tempo real. No meu canal no Youtube também posto os relatos das viagens, então quero te ver lá também:

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    Youtube: Passe Passeando

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    Leia mais: Ushuaia Vale a Pena? O Que Fazer e Quando Ir
  • Laguna Esmeralda sem Guia: Como Chegar, Riscos e Dicas de Segurança

    Laguna Esmeralda sem Guia: Como Chegar, Riscos e Dicas de Segurança

    Fizemos a trilha da Laguna Esmeralda em Ushuaia sem guia. Contamos os riscos reais, o que aprendemos e por que não recomendamos repetir sem apoio.

    Arquivo acervo pessoal

    Quando eu planejava ir para a Patagônia sozinha, a Laguna Esmeralda era um dos lugares que eu mais queria conhecer. Mas, pensando numa viagem solo, acabei tirando essa trilha do roteiro por insegurança — mesmo sabendo que existia a possibilidade de fazê-la com agência. Como no fim das contas fui acompanhada pelo meu marido, a trilha voltou com tudo para o roteiro. O problema é que decidimos ir sem guia — e essa foi uma escolha que, olhando em retrospecto e depois de pesquisar mais a fundo, não recomendo sem ressalvas.

    Neste post, conto como foi nossa experiência, o que deu certo, o que poderia ter dado muito errado, e o que aprendi depois pesquisando sobre os riscos reais dessa trilha — para te ajudar a decidir com mais informação do que tivemos na hora.

    Neste post você vai encontrar:

    • Como é a trilha da Laguna Esmeralda
    • Como chegamos até a entrada da trilha
    • Nossa experiência fazendo sem guia
    • Os riscos reais de ir sem guia
    • Quando vale a pena contratar um guia
    • Equipamento necessário
    • Vale a pena?
    • Perguntas frequentes

    Como é a trilha da Laguna Esmeralda

    A Laguna Esmeralda é um dos cartões-postais mais visitados de Ushuaia — um lago em tons de verde-esmeralda e azul-turquesa, resultado do degelo glacial, cercado por montanhas e bosques patagônicos típicos da região. A trilha até lá atravessa floresta de lengas, pântanos de turfa e margeia um riacho que forma pequenas quedas d’água ao longo do caminho.

    O trajeto tem aproximadamente 5 km (algumas fontes mencionam até 9 km, dependendo de como se mede o percurso completo de ida e volta), com um caminho relativamente bem marcado, mas sem ser tecnicamente exigente em termos de inclinação — o maior desafio não é subir morro, e sim lidar com a turfa: um solo esponjoso, formado por matéria orgânica, que pode afundar até o joelho se você sair da trilha demarcada.

    Como chegamos até a entrada da trilha

    Arquivo acervo pessoal

    A trilha começa num estacionamento à margem da Ruta 3, a cerca de 17-18 km do centro de Ushuaia. Pegamos um transfer na orla da cidade, que nos deixou direto na entrada. Essa costuma ser a opção mais prática — outras alternativas incluem táxi, remis, ou até carro próprio, já que o estacionamento é aberto e gratuito.

    Ao final da trilha, esperamos um pouco até que chegasse o transfer de volta à cidade, que já tem horários pré-definidos combinados no momento da contratação.

    Nossa experiência fazendo sem guia

    Arriscamos ir sem guia. O caminho de aproximadamente 5 km foi relativamente tranquilo de seguir, e impressionantemente lindo — a laguna estava parcialmente congelada (fomos em maio, no outono, quando o frio já começa a intensificar), e o retorno dos 5 km foi tão bom quanto a ida.

    Deu tudo certo com a gente. Mas, sendo honesta: tivemos sorte nas condições do dia, e não tínhamos, na hora, real dimensão dos riscos que essa trilha pode oferecer fora de condições ideais.

    Os riscos reais de ir sem guia

    Depois da viagem, pesquisei mais a fundo sobre os riscos dessa trilha, e é importante compartilhar o que descobri — porque no calor da empolgação de estar ali, é fácil subestimar:

    • A turfa (é um tipo de solo esponjoso e encharcado, formado pelo acúmulo de matéria orgânica vegetal em decomposição ao longo de milhares de anos) é o maior risco físico do percurso. Sair da trilha demarcada, mesmo que pareça um atalho inofensivo, pode fazer você afundar até o joelho nesse solo esponjoso — além de danificar um ecossistema frágil, que demora muito para se regenerar.
    • O clima muda rápido e sem aviso. A trilha não é recomendada em dias de vento forte, pela possibilidade de queda de árvores e galhos ao longo do caminho.
    • Fora do verão, os riscos aumentam consideravelmente. Entre abril e setembro, placas na própria entrada da trilha advertem que as condições podem ficar altamente perigosas por causa da neve e das horas limitadas de luz do dia — justamente a época em que fizemos a trilha.
    • Horário de início importa mais do que parece. A recomendação é começar a trilha antes das 15h no verão, e antes do meio-dia no inverno, para evitar ficar no escuro durante o retorno.
    • Terreno gelado aumenta o risco de escorregões e desorientação, especialmente entre junho e setembro, quando o caminho costuma ficar coberto de neve e a própria laguna congela.

    Nenhum desses riscos nos afetou diretamente naquele dia — tivemos um dia de clima estável e conseguimos completar o percurso sem intercorrências. Mas é importante deixar claro: a ausência de problema no nosso caso não significa ausência de risco real na trilha.

    Quando vale a pena contratar um guia

    Guias garantem mais segurança, oferecem informações sobre a fauna e a flora local, e costumam já incluir transporte confortável até o início da trilha. Vale considerar contratar um guia especialmente se:

    • Você estiver viajando fora do verão (abril a setembro), quando as condições ficam objetivamente mais perigosas;
    • For sua primeira trilha nesse tipo de terreno, sem experiência prévia com turfa ou terrenos patagônicos;
    • Estiver viajando com crianças ou pessoas com mobilidade reduzida;
    • A previsão do tempo indicar vento forte ou instabilidade climática no dia planejado.

    Mesmo sendo uma trilha tecnicamente autoguiada — com sinalização e um caminho relativamente claro —, o acompanhamento de um especialista local torna a experiência mais segura, especialmente para quem está pisando ali pela primeira vez.

    Equipamento necessário

    Independentemente de ir com ou sem guia, alguns itens são praticamente obrigatórios para essa trilha:

    • Botas de trekking impermeáveis — tênis esportivo comum não é recomendado, pelo risco de entorses e por encharcar rapidamente na turfa
    • Roupas em camadas, com uma jaqueta corta-vento por cima
    • Água e lanches suficientes — por ser um trajeto relativamente curto, é comum subestimar a necessidade, mas vento e frio aumentam o gasto energético do corpo
    • Seguro de viagem que cubra trekking e atendimento médico — atividade ao ar livre em terreno irregular sempre tem algum risco, e consulta médica no exterior pode sair muito cara sem cobertura adequada

    Vale a pena?

    A Laguna Esmeralda continua sendo, para nós, um dos lugares mais bonitos que já visitamos — a paisagem realmente compensa o esforço da trilha. Mas, sendo honesta com você: não recomendamos repetir a experiência sem guia, especialmente fora do verão. Tivemos sorte com o clima e com as condições do dia, mas a trilha tem riscos reais que só entendi de verdade depois de pesquisar com calma, já de volta ao Brasil.

    Se você está decidido a fazer essa trilha, principalmente numa época de mais risco (outono ou inverno, como fizemos), o mais responsável é contratar um guia local ou, no mínimo, ir muito bem preparado, com equipamento adequado e ciente das condições climáticas do dia.

    O aprendizado que levo dessa trilha

    Arquivo acervo pessoal

    Olhando para trás, entendo que fomos favorecidos por uma combinação de sorte: clima estável, trilha bem sinalizada naquele dia específico, e nenhuma condição climática adversa que testasse de verdade nosso preparo. Mas decisões de segurança não deveriam se basear em sorte — deveriam se basear em preparo real.

    Se esse post puder evitar que outra família tome a mesma decisão que tomamos, sem entender de fato os riscos envolvidos, ele já terá cumprido seu propósito. Viajar com coragem não significa viajar sem prudência — e essa é uma linha que, admito, cruzamos sem perceber naquele dia em Ushuaia.

    Vale lembrar também que existem trilhas alternativas na mesma região para quem quer uma experiência parecida com um pouco mais de segurança ou menos tempo disponível — como a Laguna Turquesa, mais curta e íngreme, também com um lago colorido de tirar o fôlego.


    Perguntas frequentes

    É seguro fazer a trilha da Laguna Esmeralda sem guia? É possível, e a trilha é relativamente bem sinalizada, mas envolve riscos reais — especialmente fora do verão, quando neve, gelo e horas de luz reduzidas aumentam bastante o perigo. Recomendamos contratar guia, principalmente entre abril e setembro.

    Quanto tempo dura a trilha da Laguna Esmeralda? O percurso de ida e volta gira em torno de 3 a 4 horas de caminhada, dependendo do ritmo do grupo e das paradas para fotos.

    Como chegar até a entrada da trilha? A trilha começa num estacionamento na Ruta 3, a cerca de 17-18 km do centro de Ushuaia. É possível ir de transfer contratado, táxi, remis ou carro próprio.

    Que equipamento é necessário para a trilha? Botas de trekking impermeáveis são essenciais, além de roupas em camadas, água, lanches e, idealmente, seguro de viagem que cubra atividades de trekking.

    Qual a melhor época para fazer a trilha da Laguna Esmeralda? O verão (dezembro a março) é considerado mais seguro, com menos risco de neve e gelo no caminho. Fora desse período, como fizemos, os riscos aumentam bastante, e vale reforçar os cuidados.

    Em minhas redes sociais sempre tem atualização e dicas em tempo real. No meu canal no Youtube também posto os relatos das viagens, então quero te ver lá também:

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    Fale conosco: contato@passepasseando.com.br

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