Roteiro real de Ushuaia, a cidade do fim do mundo: como chegar, onde ficar, passeios e dicas de quem planejou essa viagem por 2 anos.

Se você já leu [a história de como essa viagem começou], sabe que Ushuaia não foi só mais um destino no mapa — foi o lugar que escolhi para provar a mim mesma que eu era capaz de realizar um sonho sozinha. No fim, fui acompanhada do meu marido, Gustavo, mas a intenção e o planejamento inteiro nasceram de um desejo solo, pesquisado e sonhado por dois anos inteiros antes de finalmente acontecer.
Neste post, reúno o roteiro completo de Ushuaia: como chegamos, onde ficamos, os passeios que fizemos e tudo que vivemos na cidade mais ao sul do continente — a cidade do fim do mundo.
Neste post você vai encontrar:
- Como chegar a Ushuaia (voos e conexão em Buenos Aires)
- Câmbio: como levamos dinheiro para a viagem
- Chegada e primeira noite na cidade
- Onde ficamos
- Passeio de navegação pelo Canal Beagle
- Museu do Presídio
- Trem do Fim do Mundo
- Glaciar Martial
- Trilha da Laguna Esmeralda
- Quando ir: temporada em Ushuaia
- Perguntas frequentes
Como chegar a Ushuaia
Existe voo direto do Brasil para Ushuaia, mas a nossa opção foi fazer conexão em Buenos Aires. Voamos pela GOL, em parceria com a Aerolíneas Argentinas, com conexão no aeroporto AEP (Aeroparque Jorge Newbery), o aeroporto doméstico da cidade.
Dica prática: o ideal é ter pelo menos 4 horas de intervalo entre os voos na conexão, para não correr risco em caso de atrasos — foi a margem que deixamos, e funcionou bem tranquilo.
Câmbio: como levamos dinheiro para a viagem
Ainda no aeroporto de Buenos Aires, fomos até o Banco Nación para trocar alguns reais por pesos argentinos. Na Argentina, cartão também é bem aceito, mas ainda costuma valer mais a pena trocar dinheiro em espécie — não necessariamente em bancos ou casas de câmbio tradicionais. Como precisávamos chegar em Ushuaia já com alguns pesos na mão, fizemos essa primeira troca ali mesmo no aeroporto.
Esse é um assunto que merece bastante atenção — tem toda uma lógica de câmbio na Argentina, incluindo as vantagens e desvantagens de usar a Western Union, que uso e recomendo há anos nas minhas viagens pela Argentina. Detalho tudo isso [neste post específico sobre câmbio na Argentina].
Chegada e primeira noite em Ushuaia
Chegamos à noite em Ushuaia — uma noite fria de maio, com uma leve garoa. O aeroporto já é um charme por si só: construção de madeira, pequeno, mas super aconchegante. Na saída, é fácil conseguir táxi, com valores tabelados.
A cidade recebe muitos turistas brasileiros, assim como em boa parte da Argentina, o que facilita bastante a comunicação.
Escolhemos uma hospedagem pelo Booking, bem próxima ao centro — a apenas duas ruas da Avenida San Martín, a rua principal, que concentra agências de turismo, lojas de suvenir e boa parte do movimento da cidade.

Nessa primeira noite, só guardamos as malas e saímos para explorar a rua principal e tomar um vinho, relaxando da viagem. Andando pela San Martín, eu mal acreditava que estava ali — no lugar que eu tanto sonhei, tanto planejei. Já tinha pesquisado tanto, assistido tantos vídeos, que aquela rua já parecia familiar, como se eu já tivesse estado ali antes.
A manhã seguinte: as montanhas de Ushuaia
Na manhã seguinte, eu queria muito ver o nascer do sol — que, nessa época do ano (outono), acontece quase às 9h da manhã. Como chegamos à noite, não tínhamos visto muita coisa da cidade ainda. Mas pela manhã, dava para ver, em todas as direções, montanhas e mais montanhas nevadas.
Que cidade linda! É impressionante a quantidade de montanhas próximas à cidade — parecem coladas, de tão perto que estão.

Fomos caminhar pela orla, admirando tudo. Aproveitamos para ir à Western Union trocar mais dinheiro, e passamos no mercado para comprar alguns lanchinhos para levar nos passeios e comer na hospedagem.
Ainda na orla, já compramos o ingresso para o passeio de navegação pelo Canal Beagle, que eu estava ansiosa para fazer logo naquela tarde. [Conto essa experiência com todos os detalhes aqui], e você pode reservar o mesmo passeio aqui diretamente no melhor site de experiências pelo mundo, Get Your Guide.
Museu do Presídio
Aproveitamos a manhã livre para visitar o Museu do Presídio, que fica bem próximo ao centro. Vale muito a pena — aprendemos e conhecemos bastante sobre a história da cidade, que está diretamente ligada à antiga colônia penal que deu origem a Ushuaia.
Também passamos por algumas agências para escolher os demais passeios da viagem, já que não tínhamos fechado nada ainda no Brasil. Isso porque maio não é alta temporada em Ushuaia — a alta temporada vai de novembro a março (verão) e de junho a agosto (inverno, temporada de neve). Se você for viajar num desses períodos, recomendo fechar alguns passeios com antecedência, já que a procura é bem maior.
Fechamos, para os próximos dias, o Trem do Fim do Mundo e um passeio de mini-trekking em El Calafate, nosso próximo destino na sequência da viagem.
Passeio de navegação pelo Canal Beagle
À tarde, fizemos o passeio de navegação pelo Canal Beagle — e foi incrível. Chegamos a avistar baleias durante o trajeto! Foi um dos pontos altos da viagem inteira, e [detalho toda a experiência neste post específico].
Depois do passeio de barco, fomos descansar na hospedagem, já que na manhã seguinte seria o dia do Trem do Fim do Mundo, e a agência passaria bem cedo para nos buscar.
Trem do Fim do Mundo
A agência nos buscou por volta das 6h da manhã. Chegamos à estação e já caía uma tímida neve — nossa primeira experiência com neve caindo naquela viagem, e ficamos super empolgados. A estação em si já é linda, e o passeio foi maravilhoso. [Detalho toda a experiência e a história por trás do trem neste post].
Glaciar Martial
Esse passeio de meio dia terminou por volta das 13h, quando a agência nos deixou de volta no centro da cidade. Como tínhamos a tarde livre, tive a ideia de pegar um táxi e visitar o Glaciar Martial, uma montanha bem próxima da cidade — cerca de 15 minutos de táxi, e já estávamos na entrada da trilha, em frente a uma charmosa casa de chá que fica no alto da montanha.
Foi ali que começamos a ver neve de verdade. Foi um fim de tarde cheio de experiências, que [relato com todos os detalhes neste post].
Para voltar à cidade, foi bem tranquilo — havia táxi disponível, e retornamos à hospedagem. Jantamos num restaurante com parrilla que o taxista local indicou, e amamos a experiência.
Trilha da Laguna Esmeralda
Nosso último dia inteiro em Ushuaia foi dedicado à trilha para a Laguna Esmeralda. Quando eu pensava em fazer essa viagem sozinha, esse era um dos lugares que eu mais queria conhecer — mas, planejando ir sem companhia, acabei tirando essa trilha do roteiro por insegurança, mesmo sabendo que existia a possibilidade de ir com agência.
Como no fim das contas fui acompanhada pelo meu marido, a trilha voltou com tudo para o roteiro. Esse é mais um daqueles lugares que pesquisei tanto, vi tantos vídeos, que parecia que eu já conhecia como a palma da minha mão.
Pegamos um transfer na orla que nos deixou na entrada da trilha. Decidimos arriscar ir sem guia — não recomendo essa escolha, e [conto o porquê, com toda a experiência e o que poderia ter dado errado, neste post específico].
Mesmo assim, deu tudo certo e foi perfeito. O caminho, de aproximadamente 5km, é relativamente tranquilo, mas impressionantemente lindo. A laguna estava parcialmente congelada — maio é outono na região, e o frio só aumenta a partir dali. O retorno dos 5km foi tão bom quanto a ida, e ao chegar ao final da trilha, esperamos um pouco até que chegasse o transfer de volta à cidade, que já tem horários pré-definidos.
De volta à cidade, fomos direto descansar — o dia tinha sido bem intenso.
Último dia: San Martín e despedida
Nosso voo saía por volta das 11h do último dia. Aproveitamos a manhã para voltar à San Martín, comprar as últimas lembrancinhas, e seguimos para El Calafate, nosso próximo destino — [que vocês vão conhecer em detalhes aqui].
Quando ir a Ushuaia: entendendo a temporada
Fomos em maio, no outono, fora da alta temporada. Isso trouxe vantagens (menos gente, mais facilidade para fechar passeios na própria cidade) e algumas particularidades (nem tudo estava tão nevado quanto seria no inverno). A alta temporada em Ushuaia se divide em dois momentos: novembro a março, verão no hemisfério sul, e junho a agosto, inverno e temporada de neve mais intensa. Se você for viajar nesses períodos, vale fechar alguns passeios com antecedência, já que a procura aumenta bastante.

Perguntas frequentes
Vale a pena fazer conexão em Buenos Aires para chegar a Ushuaia? Existe voo direto do Brasil, mas a conexão em Buenos Aires também funciona bem, especialmente se você já planeja aproveitar para trocar dinheiro ou conhecer um pouco da cidade durante a escala. O importante é deixar uma margem segura entre os voos — recomendamos pelo menos 4 horas.
Precisa fechar os passeios de Ushuaia com antecedência? Depende da época. Fora da alta temporada (como fizemos, em maio), é tranquilo fechar tudo já na cidade, direto nas agências. Na alta temporada (novembro a março ou junho a agosto), vale reservar com mais antecedência.
Dá para fazer a trilha da Laguna Esmeralda sem guia? É possível, mas não recomendamos — no post específico sobre essa trilha, explico os riscos e o que poderia ter dado errado com a gente.
Vale a pena visitar o Glaciar Martial? Sim, principalmente se você tiver uma tarde livre na cidade. Fica bem próximo do centro (cerca de 15 minutos de táxi) e já entrega neve de verdade e paisagens lindas, sem precisar de um dia inteiro de passeio.
Chegou até aqui então precisa ver o que tem no meu instagran e no Youtube e claro os outros posts!


