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  • Canal Beagle em Ushuaia: Passeio de Barco, Preço e Vale a Pena?

    Canal Beagle em Ushuaia: Passeio de Barco, Preço e Vale a Pena?

    Passeio pelo Canal Beagle em Ushuaia: preços, duração, o que ver e como foi avistar baleias na nossa navegação. Dicas reais e atualizadas.

    Arquivo acervo pessoal

    Esse foi o passeio que eu estava mais ansiosa para fazer logo no nosso primeiro dia inteiro em Ushuaia. Compramos o ingresso ainda pela manhã, andando pela orla, e passamos o resto do período até a tarde contando os minutos. E valeu cada segundo de expectativa: no meio da navegação, avistamos baleias — um momento que parou todo mundo no barco, com celular em punho e aquela cara de “não acredito que estou vendo isso ao vivo”.

    Neste post, conto como funciona o passeio de navegação pelo Canal Beagle, quanto custa, o que dá para ver ao longo do trajeto e as dicas práticas que valem a pena saber antes de reservar o seu.

    Neste post você vai encontrar:

    • O que é o Canal Beagle
    • Como funciona o passeio
    • Quanto custa
    • O que dá para ver: fauna e pontos turísticos
    • Avistamento de baleias: dá para garantir?
    • Dicas práticas para o passeio
    • Vale a pena?
    • Perguntas frequentes

    O que é o Canal Beagle

    Arquivo acervo pessoal

    O Canal Beagle é um estreito que corta a região da Terra do Fogo, fazendo a divisa natural entre Argentina e Chile e conectando os oceanos Atlântico e Pacífico. Ele banha toda a extensão da cidade de Ushuaia, e — detalhe curioso — costuma ser a primeira coisa que os turistas veem pela janela do avião, ainda antes de pousar.

    Navegar por ele é considerado um dos passeios mais tradicionais da cidade, e não é para menos: além da paisagem — com a cordilheira ao fundo e a cidade vista de outro ângulo —, o canal abriga uma fauna riquíssima, com lobos-marinhos, aves diversas e, em dias de sorte, baleias.


    Como funciona o passeio

    O embarque acontece direto no porto turístico de Ushuaia, bem próximo ao centro da cidade — o que facilita bastante a logística, já que dá para ir a pé desde a maioria das hospedagens na região central.

    A maior parte dos passeios é feita em catamarãs com área fechada e aquecida, além de banheiro e cafeteria a bordo (consumo à parte, na maioria dos casos). Alguns roteiros também têm guia por áudio, explicando os pontos de parada e a fauna avistada ao longo do trajeto.

    Duração: varia bastante conforme o roteiro escolhido — de passeios mais curtos, de cerca de 2h30, até roteiros combinados de dia inteiro, incluindo caminhada na Ilha Bridges ou visita à Estância Harberton, que podem chegar a 5 horas ou mais.

    Quanto custa

    Os valores variam bastante conforme a duração e o tipo de roteiro escolhido — de passeios mais simples, a partir de cerca de US$ 65, até roteiros mais completos de dois dias, incluindo visita ao Parque Nacional da Terra do Fogo, que podem passar de US$ 380.

    Para famílias, vale destacar: a maioria das operadoras oferece desconto por faixa etária — crianças de 0 a 3 anos costumam não pagar, e crianças de 4 a 11 anos costumam ter cerca de 50% de desconto sobre o valor cheio. A partir dos 12 anos, geralmente já é cobrado o valor integral.

    Dica prática: compare pacotes entre diferentes operadoras antes de fechar — alguns incluem parada na Ilha Bridges para uma caminhada curta (quando as condições climáticas permitem), o que agrega bastante à experiência sem custo muito maior.


    O que dá para ver: fauna e pontos turísticos

    Arquivo acervo pessoal

    Ao longo da navegação, os pontos mais comuns de parada e observação incluem:

    Arquivo acervo pessoal
    • Farol Les Eclaireurs, conhecido popularmente como o “Farol do Fim do Mundo” — um dos pontos mais fotografados do passeio
    • Ilha Bridges, onde alguns roteiros incluem uma caminhada curta, dependendo das condições climáticas do dia

    Além disso, é comum avistar cormorões, leões-marinhos e, em alguns passeios mais completos, até pinguins nadando — embora a caminhada entre pinguins propriamente dita costume ser vendida como um passeio separado, geralmente combinado com a Isla Martillo.

    Avistamento de baleias: dá para garantir?

    Aqui vai uma dose de honestidade: não é possível garantir o avistamento de baleias. Nós tivemos sorte — foi um dos momentos mais marcantes de toda a viagem, ver aquelas baleias subindo à superfície para respirar, bem próximas do barco.

    Mas essa não é uma experiência garantida em todo passeio. A presença de baleias no Canal Beagle depende de fatores sazonais e de pura sorte no dia. Se você está indo especificamente pela chance de ver baleias, vale perguntar à operadora sobre a frequência recente de avistamentos, mas tenha em mente que é um bônus, não uma garantia do passeio.


    Dicas práticas para o passeio

    • Escolha uma embarcação com área fechada. Ushuaia é uma cidade fria mesmo fora do inverno, e o vento sobre o canal intensifica ainda mais a sensação térmica. Área fechada e aquecida faz muita diferença no conforto do passeio.
    • Vá bem agasalhado de qualquer forma, mesmo optando pela área interna — sempre vale a pena sair para o deque externo nos melhores momentos de fotos e avistamento.
    • Os passeios são diários, mas dependem do clima. Roteiros podem sofrer alteração parcial ou até cancelamento por questões climáticas ou mecânicas — vale ter isso em mente na hora de organizar o restante do roteiro do dia.
    • Compre o ingresso com alguma antecedência, principalmente na alta temporada (novembro a março, ou junho a agosto). Fora desses períodos, como fizemos, é tranquilo comprar já na própria cidade, direto na orla.
    • Leve a câmera com bateria carregada. Entre a paisagem, a fauna e um possível avistamento de baleias, é fácil gastar bateria rápido demais no meio do passeio.

    Vale a pena?

    Sem dúvida, sim. Independentemente do tempo que você tiver disponível em Ushuaia, recomendamos não deixar de fazer esse passeio. Mesmo sem o bônus das baleias, a paisagem do canal, a fauna marinha e a vista da cidade a partir da água já valem a experiência — e com sorte, como tivemos, o passeio pode se tornar um dos pontos mais marcantes de toda a viagem.

    Canal Beagle x outros passeios de Ushuaia

    Se você está tentando montar seu roteiro e decidir quais passeios priorizar, vale colocar o Canal Beagle entre os primeiros da lista — ele é relativamente acessível em termos de esforço físico (diferente de trilhas como a da Laguna Esmeralda) e funciona bem tanto para famílias com crianças pequenas quanto para grupos com idosos, já que não exige nenhum preparo físico especial.

    Comparado a outros passeios clássicos da cidade, como o Trem do Fim do Mundo ou a visita ao Glaciar Martial, o Canal Beagle tem a vantagem de reunir paisagem, história e fauna num único programa — o que o torna uma ótima escolha para quem tem poucos dias na cidade e precisa priorizar.

    Melhor época para o passeio

    Os passeios pelo Canal Beagle acontecem o ano todo, mas a experiência muda bastante conforme a estação. No verão (dezembro a março), os dias são mais longos e as temperaturas mais amenas, o que facilita a permanência no deque externo por mais tempo. No outono e inverno, como foi nossa viagem em maio, o frio é mais intenso, mas as paisagens ganham um charme especial, com neve nas montanhas ao redor do canal — e a vantagem extra de menos turistas, o que costuma facilitar tanto a compra do ingresso quanto o conforto a bordo, com embarcações menos cheias.


    Perguntas frequentes

    Quanto custa o passeio pelo Canal Beagle em Ushuaia? Os valores variam de cerca de US$ 65, em passeios mais curtos, até mais de US$ 380 em roteiros de dois dias com visita ao Parque Nacional da Terra do Fogo. A maioria dos passeios tradicionais de meio período fica numa faixa intermediária.

    Dá para ver baleias no passeio do Canal Beagle? É possível, mas não garantido — depende de fatores sazonais e sorte no dia da navegação. Nós tivemos a sorte de avistar baleias durante nosso passeio.

    Quanto tempo dura o passeio pelo Canal Beagle? Varia entre 2h30 e 5 horas, dependendo do roteiro escolhido. Passeios combinados, com caminhada na Ilha Bridges ou visita a estâncias, tendem a durar mais.

    Precisa reservar o passeio com antecedência? Na alta temporada (novembro a março ou junho a agosto), recomendamos reservar com antecedência. Fora desses períodos, como foi nossa experiência em maio, é tranquilo comprar o ingresso já na própria cidade.Crianças pagam o valor integral no passeio? Normalmente não. Crianças de 0 a 3 anos costumam não pagar, e de 4 a 11 anos costumam ter cerca de 50% de desconto. A partir de 12 anos, o valor integral costuma ser cobrado.

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  • Ushuaia: Roteiro Completo, O Que Fazer e Quantos Dias Ficar

    Ushuaia: Roteiro Completo, O Que Fazer e Quantos Dias Ficar

    Roteiro real de Ushuaia, a cidade do fim do mundo: como chegar, onde ficar, passeios e dicas de quem planejou essa viagem por 2 anos.

    Arquivo – acervo pessoal

    Se você já leu a história de como essa viagem começou, sabe que Ushuaia não foi só mais um destino no mapa — foi o lugar que escolhi para provar a mim mesma que eu era capaz de realizar um sonho sozinha. No fim, fui acompanhada do meu marido, Gustavo, mas a intenção e o planejamento inteiro nasceram de um desejo solo, pesquisado e sonhado por dois anos inteiros antes de finalmente acontecer.

    Neste post, reúno o roteiro completo de Ushuaia: como chegamos, onde ficamos, os passeios que fizemos e tudo que vivemos na cidade mais ao sul do continente — a cidade do fim do mundo.

    Neste post você vai encontrar:

    • Como chegar a Ushuaia (voos e conexão em Buenos Aires)
    • Câmbio: como levamos dinheiro para a viagem
    • Chegada e primeira noite na cidade
    • Onde ficamos
    • Passeio de navegação pelo Canal Beagle
    • Museu do Presídio
    • Trem do Fim do Mundo
    • Glaciar Martial
    • Trilha da Laguna Esmeralda
    • Quando ir: temporada em Ushuaia
    • Perguntas frequentes

    Como chegar a Ushuaia

    Existe voo direto do Brasil para Ushuaia, mas a nossa opção foi fazer conexão em Buenos Aires. Voamos pela GOL, em parceria com a Aerolíneas Argentinas, com conexão no aeroporto AEP (Aeroparque Jorge Newbery), o aeroporto doméstico da cidade.

    Dica prática: o ideal é ter pelo menos 4 horas de intervalo entre os voos na conexão, para não correr risco em caso de atrasos — foi a margem que deixamos, e funcionou bem tranquilo.

    Câmbio: como levamos dinheiro para a viagem

    Ainda no aeroporto de Buenos Aires, fomos até o Banco Nación para trocar alguns reais por pesos argentinos. Na Argentina, cartão também é bem aceito, mas ainda costuma valer mais a pena trocar dinheiro em espécie — não necessariamente em bancos ou casas de câmbio tradicionais. Como precisávamos chegar em Ushuaia já com alguns pesos na mão, fizemos essa primeira troca ali mesmo no aeroporto.

    Esse é um assunto que merece bastante atenção — tem toda uma lógica de câmbio na Argentina, incluindo as vantagens e desvantagens de usar a Western Union, que uso e recomendo há anos nas minhas viagens pela Argentina. Detalho tudo isso neste post específico sobre câmbio na Argentina

    Chegada e primeira noite em Ushuaia

    Chegamos à noite em Ushuaia — uma noite fria de maio, com uma leve garoa. O aeroporto já é um charme por si só: construção de madeira, pequeno, mas super aconchegante. Na saída, é fácil conseguir táxi, com valores tabelados.

    A cidade recebe muitos turistas brasileiros, assim como em boa parte da Argentina, o que facilita bastante a comunicação.

    Escolhemos uma hospedagem pelo Booking, bem próxima ao centro — a apenas duas ruas da Avenida San Martín, a rua principal, que concentra agências de turismo, lojas de suvenir e boa parte do movimento da cidade.

    Arquivo – acervo pessoal

    Nessa primeira noite, só guardamos as malas e saímos para explorar a rua principal e tomar um vinho, relaxando da viagem. Andando pela San Martín, eu mal acreditava que estava ali — no lugar que eu tanto sonhei, tanto planejei. Já tinha pesquisado tanto, assistido tantos vídeos, que aquela rua já parecia familiar, como se eu já tivesse estado ali antes.

    A manhã seguinte: as montanhas de Ushuaia

    Na manhã seguinte, eu queria muito ver o nascer do sol — que, nessa época do ano (outono), acontece quase às 9h da manhã. Como chegamos à noite, não tínhamos visto muita coisa da cidade ainda. Mas pela manhã, dava para ver, em todas as direções, montanhas e mais montanhas nevadas.

    Que cidade linda! É impressionante a quantidade de montanhas próximas à cidade — parecem coladas, de tão perto que estão.

    Arquivo – acervo pessoal

    Fomos caminhar pela orla, admirando tudo. Aproveitamos para ir à Western Union trocar mais dinheiro, e passamos no mercado para comprar alguns lanchinhos para levar nos passeios e comer na hospedagem.

    Tenho post dedicado a explicar como funciona o câmbio na Argentina aqui.

    Ainda na orla, já compramos o ingresso para o passeio de navegação pelo Canal Beagle, que eu estava ansiosa para fazer logo naquela tarde. Conto essa experiência com todos os detalhes aqui, e você pode reservar o mesmo passeio aqui diretamente no melhor site de experiências pelo mundo, Get Your Guide.

    Museu do Presídio

    Aproveitamos a manhã livre para visitar o Museu do Presídio, que fica bem próximo ao centro. Vale muito a pena — aprendemos e conhecemos bastante sobre a história da cidade, que está diretamente ligada à antiga colônia penal que deu origem a Ushuaia.

    Também passamos por algumas agências para escolher os demais passeios da viagem, já que não tínhamos fechado nada ainda no Brasil. Isso porque maio não é alta temporada em Ushuaia — a alta temporada vai de novembro a março (verão) e de junho a agosto (inverno, temporada de neve). Se você for viajar num desses períodos, recomendo fechar alguns passeios com antecedência, já que a procura é bem maior.

    Fechamos, para os próximos dias, o Trem do Fim do Mundo e um passeio de mini-trekking em El Calafate, nosso próximo destino na sequência da viagem.

    Passeio de navegação pelo Canal Beagle

    À tarde, fizemos o passeio de navegação pelo Canal Beagle — e foi incrível. Chegamos a avistar baleias durante o trajeto! Foi um dos pontos altos da viagem inteira, e [detalho toda a experiência neste post específico].

    Depois do passeio de barco, fomos descansar na hospedagem, já que na manhã seguinte seria o dia do Trem do Fim do Mundo, e a agência passaria bem cedo para nos buscar.

    Trem do Fim do Mundo

    A agência nos buscou por volta das 6h da manhã. Chegamos à estação e já caía uma tímida neve — nossa primeira experiência com neve caindo naquela viagem, e ficamos super empolgados. A estação em si já é linda, e o passeio foi maravilhoso. [Detalho toda a experiência e a história por trás do trem neste post].

    Glaciar Martial

    Esse passeio de meio dia terminou por volta das 13h, quando a agência nos deixou de volta no centro da cidade. Como tínhamos a tarde livre, tive a ideia de pegar um táxi e visitar o Glaciar Martial, uma montanha bem próxima da cidade — cerca de 15 minutos de táxi, e já estávamos na entrada da trilha, em frente a uma charmosa casa de chá que fica no alto da montanha.

    Foi ali que começamos a ver neve de verdade. Foi um fim de tarde cheio de experiências, que [relato com todos os detalhes neste post].

    Para voltar à cidade, foi bem tranquilo — havia táxi disponível, e retornamos à hospedagem. Jantamos num restaurante com parrilla que o taxista local indicou, e amamos a experiência.

    Trilha da Laguna Esmeralda

    Nosso último dia inteiro em Ushuaia foi dedicado à trilha para a Laguna Esmeralda. Quando eu pensava em fazer essa viagem sozinha, esse era um dos lugares que eu mais queria conhecer — mas, planejando ir sem companhia, acabei tirando essa trilha do roteiro por insegurança, mesmo sabendo que existia a possibilidade de ir com agência.

    Como no fim das contas fui acompanhada pelo meu marido, a trilha voltou com tudo para o roteiro. Esse é mais um daqueles lugares que pesquisei tanto, vi tantos vídeos, que parecia que eu já conhecia como a palma da minha mão.

    Pegamos um transfer na orla que nos deixou na entrada da trilha. Decidimos arriscar ir sem guia — não recomendo essa escolha, e [conto o porquê, com toda a experiência e o que poderia ter dado errado, neste post específico].

    Mesmo assim, deu tudo certo e foi perfeito. O caminho, de aproximadamente 5km, é relativamente tranquilo, mas impressionantemente lindo. A laguna estava parcialmente congelada — maio é outono na região, e o frio só aumenta a partir dali. O retorno dos 5km foi tão bom quanto a ida, e ao chegar ao final da trilha, esperamos um pouco até que chegasse o transfer de volta à cidade, que já tem horários pré-definidos.

    De volta à cidade, fomos direto descansar — o dia tinha sido bem intenso.

    Último dia: San Martín e despedida

    Nosso voo saía por volta das 11h do último dia. Aproveitamos a manhã para voltar à San Martín, comprar as últimas lembrancinhas, e seguimos para El Calafate, nosso próximo destino — [que vocês vão conhecer em detalhes aqui].


    Quando ir a Ushuaia: entendendo a temporada

    Fomos em maio, no outono, fora da alta temporada. Isso trouxe vantagens (menos gente, mais facilidade para fechar passeios na própria cidade) e algumas particularidades (nem tudo estava tão nevado quanto seria no inverno). A alta temporada em Ushuaia se divide em dois momentos: novembro a março, verão no hemisfério sul, e junho a agosto, inverno e temporada de neve mais intensa. Se você for viajar nesses períodos, vale fechar alguns passeios com antecedência, já que a procura aumenta bastante.

    Arquivo – acervo pessoal

    Perguntas frequentes

    Vale a pena fazer conexão em Buenos Aires para chegar a Ushuaia? Existe voo direto do Brasil, mas a conexão em Buenos Aires também funciona bem, especialmente se você já planeja aproveitar para trocar dinheiro ou conhecer um pouco da cidade durante a escala. O importante é deixar uma margem segura entre os voos — recomendamos pelo menos 4 horas.

    Precisa fechar os passeios de Ushuaia com antecedência? Depende da época. Fora da alta temporada (como fizemos, em maio), é tranquilo fechar tudo já na cidade, direto nas agências. Na alta temporada (novembro a março ou junho a agosto), vale reservar com mais antecedência.

    Dá para fazer a trilha da Laguna Esmeralda sem guia? É possível, mas não recomendamos — no post específico sobre essa trilha, explico os riscos e o que poderia ter dado errado com a gente.

    Vale a pena visitar o Glaciar Martial? Sim, principalmente se você tiver uma tarde livre na cidade. Fica bem próximo do centro (cerca de 15 minutos de táxi) e já entrega neve de verdade e paisagens lindas, sem precisar de um dia inteiro de passeio.

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  • A Viagem em Família que Mudou Nosso Jeito de Viajar

    A Viagem em Família que Mudou Nosso Jeito de Viajar

    A história por trás da nossa primeira viagem internacional: por que decidi ir sozinha para Ushuaia e El Calafate, e como isso mudou nossa família.


    Arquivo acervo pessoal

    Antes de qualquer roteiro, qualquer dica de hospedagem ou lista de passeios, tem uma história que precisa ser contada primeiro — porque foi ela que deu origem a tudo o que esse blog é hoje. Essa não é a história de uma viagem. É a história de uma decisão que mudou a forma como nossa família enxerga o mundo.

    De onde eu venho

    Vim de uma família humilde e muito batalhadora. Meus pais conseguiram nos dar o suficiente para uma vida digna — sem luxos extremos, mas com todas as necessidades supridas. Viajar simplesmente não fazia parte da nossa realidade. Não sei bem explicar o motivo — talvez fosse cultural — mas não era comum ver as pessoas ao nosso redor viajando, falando sobre viagens, se planejando para conhecer lugares novos. Isso parecia coisa de gente muito rica, um mundo distante do nosso.

    Foi só com a nossa geração, com a chegada da tecnologia e principalmente da internet, que viajar começou a parecer mais acessível, mais possível, mais desejável.

    Os anos que passaram

    Minha primeira filha, Letícia, nasceu em 2011, quando eu tinha 28 anos, cheia de energia. Ela foi um bebê muito tranquilo — dormia bem à noite, sempre “de boa”. Eu sempre quis ter dois filhos, e mesmo com uma filha tão fácil, fui adiando o segundo. Às vezes a desculpa era a idade dela, ainda muito pequena. Às vezes era uma questão financeira. Às vezes era minha carga horária de trabalho. Às vezes, a falta de uma rede de apoio.

    Os anos foram passando dessa forma, até que coloquei um limite para mim mesma: precisava ter o segundo filho até os 35 anos, ou não teria mais. Quando os 35 chegaram, tirei o DIU e começamos a tentar. Passaram-se meses, e nada. Um ano, e nada. Até que, finalmente, veio a notícia: estávamos esperando um bebê.

    Mas nos exames, algo não estava certo. Faltava o som dos batimentos cardíacos. Esperamos, refizemos os exames, e a confirmação veio: a gestação não havia evoluído, e perdemos aquele bebê. Foi um momento de muita dor, que me abalou profundamente. Mesmo assim, seguimos as recomendações médicas e continuamos tentando. Poucos meses depois, veio a notícia de uma nova gestação — e dessa vez, tudo certo. Em 2020, chegou nosso Samuel: um bebê grande, forte, e uma versão bem diferente de irmã mais velha tranquila que tínhamos vivido com a Letícia.

    Uma mãe em outra fase da vida

    Arquivo acervo pessoal

    Samuel foi um bebê bem mais chorão, que não dormia tão bem quanto a irmã — super saudável, mas com uma personalidade que exigia muito mais de mim. Quando ele completou 2 anos, eu já estava com 38, numa fase hormonal diferente, me sentindo mais cansada do que nunca.

    Essa combinação despertou em mim uma necessidade que eu não sabia nomear direito na época: a necessidade de me reconectar comigo mesma. De ter um momento só meu. De lembrar que eu era capaz de fazer algo só para mim, por mim — porque eu sentia que, em algum momento no meio da rotina de cuidar de todo mundo, eu tinha me deixado de lado. Esquecido do que eu gostava. De quem eu era antes de ser só “mãe”.

    A decisão de viajar sozinha

    Não me lembro exatamente como a ideia surgiu, mas decidi que queria fazer uma viagem sozinha. Sozinha mesmo — sem marido, sem filhos, sem amigos, sem grupo, sem ninguém. Só eu e a minha própria companhia.

    Mas para onde? Aí começou outro dilema. Eu não queria ir para um destino onde não me sentisse segura estando sozinha. Nada de praia, nada de resort, nada de lugar isolado.

    Foi então que, por acaso, apareceu na minha timeline algo sobre uma geleira — um gelo glacial, aqui do lado do Brasil, onde as pessoas caminhavam por uma passarela e ficavam frente a frente com aquela imensidão de gelo. Na hora, pensei: é isso que eu quero ver. Era o Perito Moreno, em El Calafate, na Argentina.

    Comecei a consumir vídeo atrás de vídeo, buscando informações sobre a região, e descobri que a combinação perfeita para essa viagem seria incluir também Ushuaia — a cidade do fim do mundo.

    Avisando (e sendo ignorada)

    Comecei a me planejar — e a avisar. Sim, avisei com antecedência que precisava fazer aquilo, que ia fazer isso por mim. Eu precisava provar para mim mesma que, se eu era capaz de cuidar da minha família inteira, também era capaz de fazer algo por mim. Capaz de realizar meus próprios sonhos, através do meu próprio trabalho, do meu próprio dinheiro. Sair sozinha pela primeira vez. Primeira vez em outro país, sozinha. E, com muita determinação, coloquei essa viagem como meta para o meu presente de 40 anos. Tinha dois anos inteiros para organizar tudo.

    Meu marido nunca acreditou que eu tivesse coragem de verdade — até o dia em que emiti as passagens. Ele nunca tentou entender de fato a motivação por trás daquilo, como seria, quando seria. Mas o dia chegou.

    Sempre que eu pesquisava, fazia reservas, via os passeios disponíveis, uma parte de mim pensava: “poxa, eu vou vivenciar tudo isso sozinha? Sem as pessoas que eu amo?” No fundo, não achava justo. Cheguei a falar para ele: “vem comigo, você quer ir?” Mostrava vídeos, tentava despertar o interesse dele. Mas ele não demonstrava interesse nenhum, e continuava duvidando — sempre dizendo que não dava, que ia atrapalhar financeiramente, sem nem ao menos saber quanto custaria a viagem.

    O dia em que comprei a passagem

    Quando finalmente comprei a passagem, mandei para ele ver. Ele ficou uma semana emburrado, sem acreditar que eu realmente tinha feito aquilo — mesmo eu tendo avisado por anos que faria. Ainda assim, insisti para que ele fosse. Ele questionou como iria, se nem sabia quando seria, quanto custaria.

    Calmamente, planilhei tudo e mostrei que eu não estava fazendo nenhuma loucura. Eu sabia exatamente como sairíamos daqui, por onde chegaríamos, o que fazer, onde ficar, onde comer, como pagar. Eu tinha o controle da situação. Eu não estava sendo impulsiva viajando sozinha para fora do país — eu sabia exatamente o que estava fazendo.

    E assim, ele topou. Corri para comprar a passagem dele também, incluí-lo nas hospedagens que eu já tinha reservado. E foi por esse atrevimento meu que nossa vida mudou completamente.

    O que essa viagem nos ensinou

    Eu realizei um sonho. Mas foi chegando lá que ele começou a sonhar também — pela primeira vez, ele mesmo, com seus próprios olhos, diante daquela paisagem que só tínhamos visto em vídeo até então.

    Foi depois de Ushuaia que nossa mente se abriu de verdade. Essa viagem nos mostrou que tudo é possível com planejamento e muita coragem. Nos mostrou que o mundo é muito maior do que imaginávamos, e que cada cantinho dele está pronto, esperando para ser conhecido.

    Hoje, olhando para trás, entendo que essa não foi apenas uma viagem para ver uma geleira. Foi o momento em que decidi que eu ainda existia, além de todos os papéis que eu exercia todos os dias. E foi essa decisão — de ir, mesmo com medo, mesmo sem apoio no começo, mesmo não sabendo exatamente como tudo terminaria — que abriu a porta para tudo que viveríamos como família depois: Bariloche, Itália, Portugal, o cruzeiro pelo Nordeste, e tantas outras viagens que ainda estão por vir.

    Se você está numa fase parecida com a que eu estava — se sentindo esquecida no meio da correria de cuidar de todo mundo, com vontade de fazer algo só seu, mas sem saber bem como ou se teria coragem — deixo aqui o que aprendi: às vezes, a única forma de descobrir se você é capaz é simplesmente comprando a passagem.

    Por que decidi contar essa história aqui

    Esse blog nasceu para compartilhar roteiros, dicas práticas e experiências reais de viagem em família. Mas antes de qualquer dica prática, achei importante você entender de onde tudo isso vem. Não fui criada numa família de viajantes. Não tive, durante a maior parte da minha vida adulta, a menor ideia de que sairia do Brasil sozinha um dia, muito menos que voltaria de lá com meu marido finalmente enxergando o mesmo sonho que eu já carregava havia anos.

    Se esse blog puder ajudar mais alguma família a se planejar, a economizar, a evitar os perrengues que já passamos, ótimo — é exatamente para isso que ele existe. Mas se, além disso, puder inspirar alguém que está na mesma encruzilhada em que eu estive — desejando algo só para si, mas sem coragem de dar o primeiro passo — esse post já terá cumprido seu propósito.


    O que vem a seguir

    Esse foi só o começo da história. Nos próximos posts, vou contar como foi de verdade a viagem: a chegada a Ushuaia, o dia em frente ao Perito Moreno em El Calafate, os passeios, os aprendizados práticos e, claro, todos os detalhes de roteiro para quem quiser viver uma experiência parecida com a nossa.


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