Author: passepasseando

  • Trem do Fim do Mundo: Preço, História e Dicas para Ushuaia)

    Trem do Fim do Mundo: Preço, História e Dicas para Ushuaia)

    Trem do Fim do Mundo em Ushuaia: história, preços atualizados, horários e como foi nossa experiência pegando o trem com neve caindo.

    Arquivo acervo pessoal

    Hoje vou contar nossa experiência com esse passeio que super recomendo, tenho post completo sobre Ushuaia aqui, se não viu ainda veja!!
    A agência nos buscou por volta das 6h da manhã. Chegamos à estação e já caía uma tímida neve — nossa primeira experiência com neve caindo naquela viagem, e confesso que ficamos completamente empolgados, ainda meio sonados de tão cedo. A Estação do Fim do Mundo já é linda por si só, e o passeio de trem que se seguiu foi um dos mais especiais de toda a nossa passagem por Ushuaia.

    Neste post, conto como funciona o Trem do Fim do Mundo, sua história curiosa (e um pouco sombria), quanto custa hoje e as dicas práticas para você aproveitar bem esse passeio clássico da cidade.

    Neste post você vai encontrar:

    • A história por trás do trem
    • Como funciona o passeio
    • Quanto custa
    • Horários e duração
    • O que esperar da experiência
    • Dicas práticas
    • Vale a pena?
    • Frequently asked questions

    A história por trás do Trem do Fim do Mundo

    Esse não é um trem turístico qualquer — ele carrega uma história real e bastante particular da cidade. A origem de Ushuaia está diretamente ligada a um presídio, o mais isolado de toda a Argentina, criado no final do século XIX. Para lá eram enviados criminosos considerados de alta periculosidade, em meio ao frio extremo e aos cenários inóspitos da Terra do Fogo — tudo pensado propositalmente para dificultar ao máximo qualquer tentativa de fuga.

    Os presidiários acabaram sendo responsáveis por boa parte da construção da cidade — pontes, edifícios públicos, obras no cais — e também pela ferrovia que hoje dá nome ao passeio turístico. Os últimos 7 km da rota original eram o trajeto que os presos faziam para o trabalho de tala de árvores na floresta, décadas atrás.

    Hoje, o trem até brinca com essa história: é comum encontrar atores vestidos com uniformes listrados de presidiário, posando para fotos com os turistas ao longo do percurso — um contraste curioso entre o passado sombrio e o clima leve e turístico de hoje.

    Se você quiser se aprofundar ainda mais nessa história antes ou depois do passeio de trem, vale complementar com uma visita ao Museu Marítimo e Presídio do Fim do Mundo, que fica no centro da cidade — foi o que fizemos, e ajudou muito a entender o contexto por trás de tudo que vimos depois no trem.


    Como funciona o passeio

    O trem sai da Estação do Fim do Mundo, percorrendo os 7 km da rota original através do Parque Nacional Tierra del Fuego, seguindo ao longo do Rio Pipo. No meio do trajeto, há uma parada na Estação Macarena, de cerca de 15 minutos, para fotos e uma visita rápida.

    Arquivo acervo pessoal

    A bordo, o passeio conta com narração em áudio por fones individuais — inclusive em português —, contando a história do presídio, dos presidiários e da construção da própria ferrovia. É bem emocionante ouvir esse contexto histórico enquanto o trem atravessa aquela paisagem que, no nosso caso, ainda estava recebendo uma leve nevasca.

    Importante: o ingresso ao Parque Nacional Tierra del Fuego geralmente não está incluído no valor do bilhete do trem — é uma cobrança separada, obrigatória para quem embarca, já que o trajeto passa por dentro do parque.

    Quanto custa

    Os preços na Argentina mudam com frequência, por isso fiz um post sobre o câmbio na Argentina aqui, recomendo a leitura, mas para você ter uma referência: em julho de 2026, o ticket normal para adultos custava cerca de 70.000 ARS (por volta de R$ 240), e o ticket premium saía por cerca de 217.000 ARS (por volta de R$ 750). Esses valores não incluem a entrada do Parque Nacional, que é cobrada à parte.

    Para famílias, vale destacar: crianças de até 3 anos costumam viajar gratuitamente, e de 4 a 12 anos costuma haver o pagamento de meia passagem.

    Dica prática: compare as classes disponíveis (turística, premium) antes de decidir — a diferença de conforto entre elas pode ser significativa, dependendo da época do ano e da lotação do trem.

    Horários e duração

    As saídas costumam acontecer diariamente, em horários típicos como 9h30, 12h e 15h — mas isso pode variar conforme a época do ano, então vale confirmar antes de ir. O percurso total dura entre 1h45 e 2h, considerando a parada na Estação Macarena.

    Recomendamos chegar com pelo menos 30 minutos de antecedência ao horário de embarque, já que a estação também tem uma cafeteria e uma lojinha de souvenirs para aproveitar enquanto aguarda.


    O que esperar da experiência

    Arquivo acervo pessoal

    Vale ir com expectativas realistas: o trem é um passeio de ritmo tranquilo, não uma trilha ou aventura radical. A paisagem ao longo do trajeto é bonita — floresta, o Rio Pipo, montanhas ao fundo — mas o ritmo é lento, e alguns visitantes relatam que a volta pode parecer repetitiva, já que percorre a mesma paisagem em sentido contrário.

    Para nós, especialmente com a neve caindo naquela manhã, a experiência foi mágica — mas é justo dizer que parte do encanto teve a ver com a sorte do clima daquele dia específico. Mesmo em dias sem neve, a combinação da narração histórica com a paisagem da Terra do Fogo já torna o passeio válido.

    Os vagões costumam ser relativamente estreitos, então se você estiver com um grupo grande, pode ser um pouco mais apertado do que imagina — vale ter isso em mente, principalmente se viajar com idosos que precisem de mais espaço para se acomodar.


    Dicas práticas

    • Reserve com antecedência na alta temporada (outubro a março). Os horários costumam esgotar rápido, principalmente nas classes turística e superior.
    • Combine o passeio com uma visita ao Parque Nacional, já que o trem já te deixa dentro dele — muita gente aproveita a parada final para explorar trilhas curtas, mirantes e lagos ali mesmo.
    • O pagamento costuma ser exigido apenas em pesos, então tenha dinheiro em espécie disponível se for pagar ingressos complementares (como o do Parque Nacional) diretamente no local.
    • O trem funciona o ano inteiro, inclusive em dias de neve ou chuva leve — então não é necessário se preocupar com cancelamento por causa do clima, como pode acontecer em outros passeios de Ushuaia.
    • É uma ótima opção para todas as idades, incluindo crianças pequenas e idosos — as passarelas são seguras e o trem é confortável, mesmo sem ser um passeio fisicamente exigente.

    Vale a pena?

    Arquivo acervo pessoal

    Na nossa experiência, sim — principalmente pela combinação da história curiosa do presídio com a paisagem da Terra do Fogo. É importante, porém, ajustar as expectativas: não é um passeio de grandes emoções ou paisagens dramáticas o trajeto inteiro, mas sim uma experiência tranquila, educativa e visualmente bonita, especialmente se você pegar como nós, com neve caindo.

    Se seu tempo em Ushuaia for bem limitado, vale pesar esse passeio contra outros, como o Canal Beagle ou o Glaciar Martial, que trazem uma experiência um pouco mais intensa. Mas se você tem interesse em história, ou está viajando com crianças e idosos que talvez prefiram algo mais tranquilo, o Trem do Fim do Mundo entrega exatamente essa experiência.

    Trem do Fim do Mundo dentro do roteiro completo

    No nosso caso, esse passeio funcionou bem como o programa da manhã, já que a agência nos buscou bem cedo e nos deixou de volta no centro por volta das 13h — deixando a tarde inteira livre para outro passeio, que acabou sendo a visita ao Glaciar Martial. Se você está organizando seu próprio roteiro em Ushuaia, essa combinação de meio período de manhã com o trem, seguido de um passeio mais curto à tarde, funciona muito bem para aproveitar melhor cada dia na cidade.


    Frequently asked questions

    Quanto custa o Trem do Fim do Mundo em Ushuaia? Os valores mudam com frequência devido à inflação argentina, dá uma olhada nesse post sobre o câmbio na Argentina para entender melhor, mas em julho de 2026 o ticket normal para adultos custava cerca de 70.000 ARS, e o premium cerca de 217.000 ARS — sem incluir a entrada do Parque Nacional, cobrada separadamente.

    O ingresso do Parque Nacional está incluído no bilhete do trem? Geralmente não. É uma cobrança separada, obrigatória para quem embarca no trem, já que o trajeto passa por dentro do Parque Nacional Tierra del Fuego.

    Quanto tempo dura o passeio de trem? Entre 1h45 e 2h, incluindo uma parada de cerca de 15 minutos na Estação Macarena.

    O Trem do Fim do Mundo funciona o ano todo? Sim, opera o ano inteiro, inclusive em dias de neve ou chuva leve.

    Vale a pena para quem está com pouco tempo em Ushuaia? Depende do seu perfil de viagem. É uma ótima opção para famílias com crianças ou idosos, ou para quem se interessa por história. Se você prefere passeios mais intensos e tem pouco tempo, talvez valha priorizar o Canal Beagle ou o Glaciar Martial.


    Em minhas redes sociais sempre tem atualização e dicas em tempo real. No meu canal no Youtube também posto os relatos das viagens, então quero te ver lá também:

    Instagram: @pattycampossilva / @passepasseando

    Youtube: Passe Passeando

    Fale conosco: contato@passepasseando.com.br

    Read more: Trem do Fim do Mundo: Preço, História e Dicas para Ushuaia)
  • Canal Beagle em Ushuaia: Passeio de Barco, Preço e Vale a Pena?

    Canal Beagle em Ushuaia: Passeio de Barco, Preço e Vale a Pena?

    Passeio pelo Canal Beagle em Ushuaia: preços, duração, o que ver e como foi avistar baleias na nossa navegação. Dicas reais e atualizadas.

    Arquivo acervo pessoal

    Esse foi o passeio que eu estava mais ansiosa para fazer logo no nosso primeiro dia inteiro em Ushuaia. Compramos o ingresso ainda pela manhã, andando pela orla, e passamos o resto do período até a tarde contando os minutos. E valeu cada segundo de expectativa: no meio da navegação, avistamos baleias — um momento que parou todo mundo no barco, com celular em punho e aquela cara de “não acredito que estou vendo isso ao vivo”.

    Neste post, conto como funciona o passeio de navegação pelo Canal Beagle, quanto custa, o que dá para ver ao longo do trajeto e as dicas práticas que valem a pena saber antes de reservar o seu.

    Neste post você vai encontrar:

    • O que é o Canal Beagle
    • Como funciona o passeio
    • Quanto custa
    • O que dá para ver: fauna e pontos turísticos
    • Avistamento de baleias: dá para garantir?
    • Dicas práticas para o passeio
    • Vale a pena?
    • Frequently asked questions

    O que é o Canal Beagle

    Arquivo acervo pessoal

    O Canal Beagle é um estreito que corta a região da Terra do Fogo, fazendo a divisa natural entre Argentina e Chile e conectando os oceanos Atlântico e Pacífico. Ele banha toda a extensão da cidade de Ushuaia, e — detalhe curioso — costuma ser a primeira coisa que os turistas veem pela janela do avião, ainda antes de pousar.

    Navegar por ele é considerado um dos passeios mais tradicionais da cidade, e não é para menos: além da paisagem — com a cordilheira ao fundo e a cidade vista de outro ângulo —, o canal abriga uma fauna riquíssima, com lobos-marinhos, aves diversas e, em dias de sorte, baleias.


    Como funciona o passeio

    O embarque acontece direto no porto turístico de Ushuaia, bem próximo ao centro da cidade — o que facilita bastante a logística, já que dá para ir a pé desde a maioria das hospedagens na região central.

    A maior parte dos passeios é feita em catamarãs com área fechada e aquecida, além de banheiro e cafeteria a bordo (consumo à parte, na maioria dos casos). Alguns roteiros também têm guia por áudio, explicando os pontos de parada e a fauna avistada ao longo do trajeto.

    Duração: varia bastante conforme o roteiro escolhido — de passeios mais curtos, de cerca de 2h30, até roteiros combinados de dia inteiro, incluindo caminhada na Ilha Bridges ou visita à Estância Harberton, que podem chegar a 5 horas ou mais.

    Quanto custa

    Os valores variam bastante conforme a duração e o tipo de roteiro escolhido — de passeios mais simples, a partir de cerca de US$ 65, até roteiros mais completos de dois dias, incluindo visita ao Parque Nacional da Terra do Fogo, que podem passar de US$ 380.

    Para famílias, vale destacar: a maioria das operadoras oferece desconto por faixa etária — crianças de 0 a 3 anos costumam não pagar, e crianças de 4 a 11 anos costumam ter cerca de 50% de desconto sobre o valor cheio. A partir dos 12 anos, geralmente já é cobrado o valor integral.

    Dica prática: compare pacotes entre diferentes operadoras antes de fechar — alguns incluem parada na Ilha Bridges para uma caminhada curta (quando as condições climáticas permitem), o que agrega bastante à experiência sem custo muito maior.


    O que dá para ver: fauna e pontos turísticos

    Arquivo acervo pessoal

    Ao longo da navegação, os pontos mais comuns de parada e observação incluem:

    Arquivo acervo pessoal
    • Farol Les Eclaireurs, conhecido popularmente como o “Farol do Fim do Mundo” — um dos pontos mais fotografados do passeio
    • Ilha Bridges, onde alguns roteiros incluem uma caminhada curta, dependendo das condições climáticas do dia

    Além disso, é comum avistar cormorões, leões-marinhos e, em alguns passeios mais completos, até pinguins nadando — embora a caminhada entre pinguins propriamente dita costume ser vendida como um passeio separado, geralmente combinado com a Isla Martillo.

    Avistamento de baleias: dá para garantir?

    Aqui vai uma dose de honestidade: não é possível garantir o avistamento de baleias. Nós tivemos sorte — foi um dos momentos mais marcantes de toda a viagem, ver aquelas baleias subindo à superfície para respirar, bem próximas do barco.

    Mas essa não é uma experiência garantida em todo passeio. A presença de baleias no Canal Beagle depende de fatores sazonais e de pura sorte no dia. Se você está indo especificamente pela chance de ver baleias, vale perguntar à operadora sobre a frequência recente de avistamentos, mas tenha em mente que é um bônus, não uma garantia do passeio.


    Dicas práticas para o passeio

    • Escolha uma embarcação com área fechada. Ushuaia é uma cidade fria mesmo fora do inverno, e o vento sobre o canal intensifica ainda mais a sensação térmica. Área fechada e aquecida faz muita diferença no conforto do passeio.
    • Vá bem agasalhado de qualquer forma, mesmo optando pela área interna — sempre vale a pena sair para o deque externo nos melhores momentos de fotos e avistamento.
    • Os passeios são diários, mas dependem do clima. Roteiros podem sofrer alteração parcial ou até cancelamento por questões climáticas ou mecânicas — vale ter isso em mente na hora de organizar o restante do roteiro do dia.
    • Compre o ingresso com alguma antecedência, principalmente na alta temporada (novembro a março, ou junho a agosto). Fora desses períodos, como fizemos, é tranquilo comprar já na própria cidade, direto na orla.
    • Leve a câmera com bateria carregada. Entre a paisagem, a fauna e um possível avistamento de baleias, é fácil gastar bateria rápido demais no meio do passeio.

    Vale a pena?

    Sem dúvida, sim. Independentemente do tempo que você tiver disponível em Ushuaia, recomendamos não deixar de fazer esse passeio. Mesmo sem o bônus das baleias, a paisagem do canal, a fauna marinha e a vista da cidade a partir da água já valem a experiência — e com sorte, como tivemos, o passeio pode se tornar um dos pontos mais marcantes de toda a viagem.

    Canal Beagle x outros passeios de Ushuaia

    Se você está tentando montar seu roteiro e decidir quais passeios priorizar, vale colocar o Canal Beagle entre os primeiros da lista — ele é relativamente acessível em termos de esforço físico (diferente de trilhas como a da Laguna Esmeralda) e funciona bem tanto para famílias com crianças pequenas quanto para grupos com idosos, já que não exige nenhum preparo físico especial.

    Comparado a outros passeios clássicos da cidade, como o Trem do Fim do Mundo ou a visita ao Glaciar Martial, o Canal Beagle tem a vantagem de reunir paisagem, história e fauna num único programa — o que o torna uma ótima escolha para quem tem poucos dias na cidade e precisa priorizar.

    Melhor época para o passeio

    Os passeios pelo Canal Beagle acontecem o ano todo, mas a experiência muda bastante conforme a estação. No verão (dezembro a março), os dias são mais longos e as temperaturas mais amenas, o que facilita a permanência no deque externo por mais tempo. No outono e inverno, como foi nossa viagem em maio, o frio é mais intenso, mas as paisagens ganham um charme especial, com neve nas montanhas ao redor do canal — e a vantagem extra de menos turistas, o que costuma facilitar tanto a compra do ingresso quanto o conforto a bordo, com embarcações menos cheias.


    Frequently asked questions

    Quanto custa o passeio pelo Canal Beagle em Ushuaia? Os valores variam de cerca de US$ 65, em passeios mais curtos, até mais de US$ 380 em roteiros de dois dias com visita ao Parque Nacional da Terra do Fogo. A maioria dos passeios tradicionais de meio período fica numa faixa intermediária.

    Dá para ver baleias no passeio do Canal Beagle? É possível, mas não garantido — depende de fatores sazonais e sorte no dia da navegação. Nós tivemos a sorte de avistar baleias durante nosso passeio.

    Quanto tempo dura o passeio pelo Canal Beagle? Varia entre 2h30 e 5 horas, dependendo do roteiro escolhido. Passeios combinados, com caminhada na Ilha Bridges ou visita a estâncias, tendem a durar mais.

    Precisa reservar o passeio com antecedência? Na alta temporada (novembro a março ou junho a agosto), recomendamos reservar com antecedência. Fora desses períodos, como foi nossa experiência em maio, é tranquilo comprar o ingresso já na própria cidade.Crianças pagam o valor integral no passeio? Normalmente não. Crianças de 0 a 3 anos costumam não pagar, e de 4 a 11 anos costumam ter cerca de 50% de desconto. A partir de 12 anos, o valor integral costuma ser cobrado.

    Em minhas redes sociais sempre tem atualização e dicas em tempo real. No meu canal no Youtube também posto os relatos das viagens, então quero te ver lá também:

    Instagram: @pattycampossilva / @passepasseando /

    Youtube: Passe Passeando

    Fale conosco: contato@passepasseando.com.br

  • Câmbio na Argentina: Banco Nación ou Western Union? Comparação Real

    Câmbio na Argentina: Banco Nación ou Western Union? Comparação Real

    Câmbio na Argentina: como usamos o Banco Nación e a Western Union na nossa viagem, vantagens, desvantagens e dicas atualizadas para levar dinheiro.

    Arquivo acervo pessoal

    Assim que pousamos em Buenos Aires, ainda dentro do aeroporto, uma das primeiras coisas que fizemos foi trocar dinheiro. Isso porque precisávamos chegar a Ushuaia já com alguns pesos argentinos na mão — nem que fosse só o suficiente para o táxi e o primeiro jantar. Foi ali que tivemos nosso primeiro contato prático com um assunto que, sinceramente, confunde muita gente antes de viajar para a Argentina: qual é a melhor forma de levar dinheiro para o país?

    Neste post, conto como fizemos na nossa viagem — Banco Nación no aeroporto e Western Union já em Ushuaia — e complemento com o que pesquisei sobre as outras opções disponíveis, para te ajudar a decidir a melhor estratégia para a sua viagem.

    Neste post você vai encontrar:

    • Como fizemos: Banco Nación no aeroporto
    • Western Union: como usamos em Ushuaia
    • Dólar blue: o que é e por que temos ressalvas
    • Cartão internacional: como funciona hoje
    • Qual estratégia vale mais a pena
    • Frequently asked questions

    Como fizemos: Banco Nación no aeroporto

    Ainda no aeroporto de Buenos Aires, fomos até o Banco Nación para trocar alguns reais por pesos argentinos. Essa foi uma escolha prática: como ainda tínhamos uma conexão pela frente até Ushuaia, preferimos já sair de Buenos Aires com pesos na carteira, em vez de depender de encontrar um ponto de câmbio já na cidade de destino.

    O Banco Nación tem postos de câmbio dentro dos principais aeroportos argentinos — tanto no Aeroparque Jorge Newbery (AEP), onde fizemos nossa conexão, quanto no Aeroporto Internacional de Ezeiza. É considerado um dos canais mais seguros e oficiais para trocar dinheiro no país, funcionando em horário estendido (o posto do Ezeiza, inclusive, funciona 24 horas).

    Importante: na Argentina, cartão também é bem aceito na maioria dos estabelecimentos. Mas para os primeiros gastos da viagem — táxi, lanche, pequenas compras — ainda vale a pena chegar com um pouco de dinheiro em espécie, já que nem todo lugar aceita cartão, especialmente em cidades menores como Ushuaia.

    Western Union: como usamos em Ushuaia

    Já em Ushuaia, voltamos a trocar dinheiro — dessa vez pela Western Union, que uso há anos nas minhas viagens pela Argentina. O funcionamento é simples: você envia uma quantia (em reais ou dólares) para si mesmo, pelo aplicativo da Western Union, e depois retira o valor já convertido em pesos numa agência física no destino.

    A grande vantagem da Western Union é a segurança: é uma operação legal, com recibo, sem risco de receber nota falsa — um problema real em alguns pontos de câmbio informais da Argentina. A cotação oferecida costuma ser competitiva, muitas vezes superior ao câmbio oficial de banco, mesmo considerando o IOF cobrado nesse tipo de operação.

    A desvantagem é a praticidade: você precisa ir até uma agência física, enfrentar fila (que pode ser longa dependendo do dia e do horário) e apresentar documento e o código da transferência. Ainda assim, para quem prioriza segurança em vez de rapidez, é uma excelente opção — e foi a que escolhemos usar ao longo da nossa viagem.

    Dólar blue: o que é e por que temos ressalvas

    Você provavelmente já ouviu falar do dólar blue — o câmbio paralelo (informal) da Argentina, que historicamente oferece uma cotação mais vantajosa do que o câmbio oficial, por conta das restrições cambiais do governo argentino. Esse câmbio paralelo costuma ser oferecido em casas de câmbio informais (as chamadas “cuevas”), concentradas principalmente em regiões como a Calle Florida, em Buenos Aires.

    Não usamos o dólar blue na nossa viagem, e o motivo é simples: embora seja uma prática comum, inclusive entre turistas, ela opera fora do sistema oficial — o que significa mais risco de golpe, nota falsa, ou de lidar com estabelecimentos sem qualquer tipo de garantia formal. Preferimos os canais oficiais, mesmo que isso signifique, eventualmente, uma cotação um pouco menos vantajosa.

    Vale destacar: a diferença entre o câmbio oficial e o dólar blue tem diminuído nos últimos tempos, o que reduz ainda mais o incentivo de correr esse risco só para ganhar uma pequena vantagem na cotação.

    Cartão internacional: como funciona hoje

    Arquivo acervo pessoal

    Um ponto importante para quem está planejando uma viagem à Argentina agora: desde o final de 2022, o governo argentino fechou um acordo com as bandeiras Visa e Mastercard para que turistas estrangeiros tenham acesso a uma cotação de cartão bem mais próxima do câmbio paralelo, em vez do câmbio oficial (que era bem menos vantajoso). Isso praticamente dobrou o poder de compra de quem usa cartão de crédito internacional no país, comparado ao cenário de alguns anos atrás.

    Isso torna o cartão uma opção bem mais interessante hoje do que já foi no passado — especialmente para pagar hospedagens, já que o pagamento com cartão internacional costuma dar direito a isenção de parte do IVA (o imposto argentino) em diárias de hotel.

    Uma estratégia que tem se popularizado entre viajantes é combinar: conta digital/cartão internacional para a maior parte dos gastos, e uma quantia menor em pesos físicos (via Western Union ou Banco Nación) para táxis, feiras, gorjetas e pequenos estabelecimentos que não aceitam cartão.

    Qual estratégia vale mais a pena

    Baseado na nossa experiência e no que aprendemos pesquisando sobre o tema, aqui vai o resumo prático:

    • Banco Nación (nos aeroportos): ótimo para já sair com pesos em mãos assim que desembarcar, com segurança e câmbio oficial.
    • Western Union: nossa escolha preferida para reabastecer pesos ao longo da viagem — segura, com recibo, e cotação competitiva, ainda que exija ir até uma agência física.
    • Cartão internacional: cada vez mais vantajoso, especialmente para hospedagem (por causa da isenção de parte do IVA) e para o dia a dia, sem depender de encontrar pontos de câmbio abertos. Sempre uso nas minhas viagens o banco Wise
    • Dólar blue / cuevas: não é a opção que recomendamos, pelo risco envolvido, mesmo sendo uma prática comum entre turistas.

    Na prática, temos usado uma combinação: um pouco de dinheiro em espécie via Western Union ou Banco Nación para os primeiros gastos e emergências, e cartão internacional para o restante — especialmente hospedagem e compras maiores.

    Quanto dinheiro em espécie levar

    Uma dúvida comum de quem vai pela primeira vez à Argentina é quanto de dinheiro físico realmente vale a pena carregar. Na nossa experiência, o ideal é ter pesos suficientes para cobrir os primeiros um ou dois dias de viagem — táxi do aeroporto, uma refeição, pequenas compras — sem depender de encontrar um ponto de câmbio logo na chegada.

    Depois disso, reabastecer aos poucos, conforme a necessidade, evita que você ande com grandes quantias em espécie, o que nunca é o ideal em nenhum lugar do mundo. Foi exatamente essa lógica que seguimos: uma primeira troca no aeroporto de Buenos Aires, e complementos pontuais pela Western Union já em Ushuaia, conforme o dinheiro ia acabando.

    Cuidados na hora de trocar dinheiro

    Alguns cuidados práticos que vale ter, independente da forma de câmbio escolhida:

    • Confira as notas recebidas no momento da troca, ainda no balcão do câmbio — isso vale tanto para bancos quanto para a Western Union.
    • Evite trocar grandes quantias de uma vez só, especialmente logo na chegada. Prefira ir reabastecendo aos poucos ao longo da viagem.
    • Guarde o recibo das operações feitas pela Western Union — é seu comprovante caso haja qualquer divergência.
    • Fique atento ao horário de funcionamento das agências, principalmente em cidades menores como Ushuaia, onde a oferta de pontos de câmbio é mais limitada do que em Buenos Aires.

    Frequently asked questions

    Arquivo acervo pessoal

    Onde encontrar o Banco Nación nos aeroportos argentinos? No Aeroparque Jorge Newbery (AEP), o posto fica na extremidade do terminal de embarque, funcionando das 6h à meia-noite. No Aeroporto de Ezeiza, o posto fica no terminal internacional e funciona 24 horas.

    Vale a pena trocar dinheiro pela Western Union na Argentina? Sim, principalmente pela segurança — é uma operação legal, com recibo, sem risco de nota falsa. A cotação costuma ser competitiva, mesmo com a taxa cobrada na operação.

    O dólar blue é seguro para turistas? É uma prática comum, mas opera fora do sistema oficial, em casas de câmbio informais. Há risco de golpes e notas falsas, e a diferença de cotação em relação ao câmbio oficial tem diminuído — por isso, preferimos não recomendar essa opção.

    É melhor levar dinheiro em espécie ou usar cartão na Argentina? O ideal é combinar as duas coisas: um valor menor em pesos físicos (via Western Union ou Banco Nación) para táxis, feiras e pequenos estabelecimentos, e cartão internacional para o restante dos gastos, incluindo hospedagem.

    Compensa comprar pesos argentinos ainda no Brasil? Não recomendamos. A cotação de pesos comprados no Brasil costuma ser bem menos vantajosa do que trocar diretamente na Argentina, seja pelo câmbio oficial ou pela Western Union.

    Em minhas redes sociais sempre tem atualização e dicas em tempo real. No meu canal no Youtube também posto os relatos das viagens, então quero te ver lá também:
    Instagram: @pattycampossilva / @passepasseando

    Youtube: Passe Passeando
    Fale conosco: contato@passepasseando.com.br

  • Quanto Custa Viajar para Bariloche em Família? Orçamento Real

    Quanto Custa Viajar para Bariloche em Família? Orçamento Real

    Quanto custa uma viagem para Bariloche em família: voos, hospedagem, passeios e alimentação. Orçamento real de uma viagem de 7 dias.

    Arquivo acervo pessoal

    Uma das perguntas que mais recebemos depois dessa viagem foi: “quanto custa ir para Bariloche em família?” A resposta curta é: depende muito de quando você vai e de quantas pessoas estão no grupo. A resposta longa é este post — com todos os valores reais que gastamos numa viagem de 7 dias, em grupo de 8 pessoas, entre crianças de 4 anos e idosos de 74.

    Tenho um post exclusivo detalhando como funciona o câmbio na Argentina

    Neste post você vai encontrar:

    • Nosso orçamento real por casal
    • Detalhamento por categoria (voos, hospedagem, alimentação, passeios)
    • Como viajar em grupo ajuda a economizar
    • Dicas para economizar mais
    • Frequently asked questions

    Nosso orçamento real (por casal)

    ItemValor por casal
    Voos (ida e volta)R$ 4.400
    Hospedagem (7 dias)R$ 1.300
    Transporte localR$ 280
    AlimentaçãoR$ 1.100
    PasseiosR$ 1.200
    Total~R$ 8.300

    Esses valores foram divididos por casal — como fomos em grupo de 8 pessoas, dividimos hospedagem, transfer e aluguel de carro, o que ajudou bastante a diluir os custos.


    Por que os valores variam tanto de família para família

    Antes de entrar nos detalhes, vale um alerta importante: o valor de uma viagem para Bariloche pode variar bastante dependendo de fatores como época do ano, tamanho do grupo, câmbio do peso argentino no momento da viagem e o perfil de hospedagem e alimentação que a família busca. Os números deste post refletem nossa experiência real — um grupo grande, buscando economia sem abrir mão de conforto — mas servem como boa referência de base para você montar seu próprio orçamento.

    Detalhando cada categoria

    Voos

    Voos costumam ser o maior custo da viagem. Nossa dica: datas flexíveis aumentam muito as chances de encontrar promoções. Participar de programas de fidelidade de bancos e cartões também ajuda — nessa viagem, conseguimos a ida de um dos casais 100% em milhas, porque já vínhamos juntando pontos com antecedência.

    Outra dica importante: pesquise sempre pelo Google Voos, que mostra histórico de preços e reúne mais opções de datas e filtros do que a maioria dos apps de busca. E não se engane achando que comprar com muita antecedência é sempre mais barato — geralmente as melhores promoções aparecem entre 2 e 3 meses antes da viagem.

    Compramos as passagens aéreas diretamente com a companhia aérea – voamos com a Gol, mesmo quando encontramos opções um pouco mais baratas em agências intermediárias. A razão é prática: caso haja qualquer imprevisto — atraso, problema com bagagem, cancelamento — é muito mais simples resolver diretamente com a companhia do que através de um intermediário.

    Hospedagem

    Ficamos numa casa simples, mas aconchegante, a duas quadras do centro, por R$130 a diária (Achalay House, Rua Tucumán). Priorizar localização perto do centro foi uma decisão importante: economizamos bastante em transporte, já que conseguimos fazer boa parte dos passeios do primeiro dia a pé.

    Arquivo acervo pessoal

    Nossa recomendação para quem está pesquisando hospedagem: sempre compare Booking com Airbnb antes de fechar, e busque opções com cancelamento gratuito e sem necessidade de pagamento antecipado. Isso permite garantir a hospedagem mesmo antes de comprar a passagem aérea — e ajustar as datas depois, quando o voo estiver definido, sem risco de perder o valor pago.

    Transporte local

    Usamos Uber na maior parte da viagem — funciona bem em Bariloche e pode ser pago em pesos. Em dias de maior movimento na cidade (como durante festivais), no entanto, é comum que Uber e táxi fiquem indisponíveis, e o remis se torna a alternativa mais confiável. O valor de R$280 por casal cobriu a maior parte dos deslocamentos dentro da cidade ao longo dos 7 dias.

    Alimentação

    Aqui vale um alerta real: achamos tudo mais caro do que numa viagem anterior a Ushuaia, feita pouco mais de um ano antes — entre a mudança de governo na Argentina e o aumento da visibilidade turística de Bariloche, os preços subiram bastante. Depois do primeiro almoço mais salgado (La Parrilla de Julián, ~R$150 por pessoa), estabelecemos uma meta de gasto máximo por refeição, o que ajudou a manter o orçamento sob controle no resto da viagem.

    Passeios

    Os principais passeios pagos foram:

    Arquivo acervo pessoal

    Vale notar que a maioria dos passeios em Bariloche tem valores diferenciados para crianças e idosos — sempre vale perguntar na hora da compra, já que isso pode reduzir bastante o custo total para famílias grandes como a nossa.

    Compras e lembrancinhas

    Não incluímos essa categoria na tabela principal porque variou bastante entre os membros do grupo, mas vale mencionar: as lojinhas tradicionais da região central (Mamuska, Rapanui, Havanna) têm preços mais salgados, então definir um limite de gasto por pessoa antes de sair para as compras ajuda a manter o orçamento sob controle.


    Como viajar em grupo ajuda a economizar

    Fomos em 8 pessoas — dos 4 aos 74 anos — e isso ajudou bastante na economia final, porque dividimos:

    • Hospedagem
    • Transfers e remis
    • Aluguel de carro para o Circuito Chico

    Se você está pensando em ir com família estendida (pais, sogros, irmãos), vale considerar: além da companhia, o orçamento por pessoa costuma cair bastante.

    Isso não significa que viajar em casal ou família pequena para Bariloche seja necessariamente mais caro — mas exige um pouco mais de atenção na hora de escolher hospedagens e passeios que façam sentido para o tamanho do grupo, já que muitos dos descontos por diluição de custo (como aluguel de carro e transfers) funcionam melhor a partir de 4 pessoas.


    Dicas para economizar mais em Bariloche

    • Baixe o app do supermercado La Anônima antes da viagem. Existem programas de fidelidade com desconto real — só descobrimos isso no último dia e nos arrependemos de não ter economizado mais ao longo da viagem.
    • Troque dinheiro pela Western Union — ainda é a opção mais econômica, mesmo que você acabe andando com bastante dinheiro em espécie (os estabelecimentos já estão acostumados com isso, já que recebem muitos brasileiros).
    • Estipule um limite de gastos por refeição e por lembrancinhas antes da viagem, e peça dicas para moradores locais — fuja dos restaurantes “clichês”, que muitas vezes cobram só pelo ponto turístico.
    • Compre chip internacional com antecedência — evita depender de wifi e facilita pesquisar preços e promoções durante a viagem.
    • Compare preços de passeios entre lojas físicas e sites oficiais antes de comprar — em alguns casos, o valor pode variar dependendo de onde você compra o ingresso.
    • Pesquise datas variadas na hospedagem. Preços de diárias podem mudar bastante entre dias próximos, então testar diferentes combinações de entrada e saída pode render uma economia real.
    • Divida custos fixos sempre que possível. Aluguel de carro, transfers e até algumas refeições em grupo saem proporcionalmente mais baratos quando divididos entre mais pessoas.

    Vale a pena ir a Bariloche pensando em economia?

    Arquivo acervo pessoal

    Sim — mesmo com o aumento de preços que notamos comparado a uma viagem anterior à região, Bariloche continua sendo um destino relativamente acessível para famílias brasileiras, especialmente se comparado a outros destinos de neve fora da América do Sul. O segredo está em planejar com antecedência, comparar preços com calma e, se possível, viajar em grupo para diluir os custos fixos.

    Resumo: para onde foi cada real gasto

    Olhando para o total de aproximadamente R$8.300 por casal, os voos representaram a maior fatia do orçamento (mais da metade do total), seguidos por alimentação e passeios, praticamente empatados, e por último hospedagem e transporte local, que ficaram bem mais enxutos graças à boa localização da hospedagem e ao uso consciente de Uber e remis.

    Esse padrão costuma se repetir na maioria das viagens internacionais: passagem aérea é o item que mais pesa, então é também onde vale mais a pena investir tempo de pesquisa antes de fechar a compra. Os demais custos — hospedagem, alimentação e passeios — têm mais margem para ajuste conforme o perfil e as prioridades da sua família.


    Frequently asked questions

    Quanto custa uma viagem de 7 dias para Bariloche em família? No nosso caso, cerca de R$8.300 por casal, incluindo voos, hospedagem, alimentação, transporte e passeios — viajando em grupo de 8 pessoas.

    Viajar em grupo para Bariloche compensa financeiramente? Sim. Dividir hospedagem, transfers e aluguel de carro reduz bastante o custo por pessoa.

    Bariloche está mais caro do que outros destinos da Patagônia? Na nossa experiência, sim — comparado a uma viagem anterior a Ushuaia, os preços em Bariloche estavam visivelmente mais altos.

    Qual a melhor forma de economizar em passagens para Bariloche? Ter datas flexíveis e pesquisar pelo Google Voos, que mostra histórico de preços. As melhores promoções costumam aparecer de 2 a 3 meses antes da viagem.

    Arquivo acervo pessoal

    Em minhas redes sociais sempre tem atualização e dicas em tempo real. No meu canal no Youtube também posto os relatos das viagens, então quero te ver lá também:

    Instagram: @pattycampossilva / @passepasseando

    Youtube: Strolling

    Fale conosco: contato@passepasseando.com.br

  • Bariloche com Crianças: Roteiro de 7 Dias com Gastos Reais

    Bariloche com Crianças: Roteiro de 7 Dias com Gastos Reais

    Roteiro real de Bariloche em família com crianças e idosos: onde ficar, o que fazer, quanto custa e dicas para economizar. Dia a dia completo.

    Arquivo acervo pessoal

    Chegamos em Bariloche à noite, por volta das 21h, cansados e sem chip internacional, que não aconselho! Hoje só viajo com chip da Airalo, pois ja chego no país conectado, esse perrengue eu não passo!!!
    Mas nesse dia, usando o wifi do aeroporto só para conseguir avisar nosso anfitrião que tínhamos desembarcado. Enquanto esperávamos o táxi (tabelado, cerca de R$40), começou a nevar. Foi a recepção mais bonita que uma cidade já nos deu.

    Fomos em 8 pessoas: uma criança de 4 anos, uma adolescente e avós de até 74 anos. Se você acha que isso complica o roteiro, complica mesmo — mas Bariloche se mostrou surpreendentemente fácil de agradar todo mundo ao mesmo tempo. Neste post, reúno nosso roteiro completo de 7 dias, o que gastamos em cada etapa, onde comemos, o que fazer com crianças pequenas e os erros que cometemos (para você não repetir).

    Alguns valores estão em Reais e outros em Pesos Argentinos — na nossa viagem, R$1 valia cerca de $228 pesos argentinos.

    Nesse post também explicamos sobre o câmbio na Argentina

    Neste post você vai encontrar:

    • Quando ir a Bariloche com crianças
    • Quanto custa uma viagem em família (orçamento real)
    • Onde ficar
    • Roteiro dia a dia completo
    • O que levar na mala
    • Erros que cometemos
    • Frequently asked questions

    Quando ir a Bariloche com crianças

    Fomos no final do inverno, quando ainda há neve nas montanhas mas o movimento já começa a diminuir. Nessa época os lagos ficam extremamente gelados e as paisagens são todas brancas — perfeito para quem quer que as crianças vejam neve de verdade.

    No verão, a cidade muda completamente: as temperaturas passam dos 27°C, os lagos viram praia e as atividades voltam-se para trekking e montanhismo. Ou seja, Bariloche funciona bem em qualquer época — depende só do tipo de experiência que você quer proporcionar para a família.

    Dica: se sua conexão for por Buenos Aires, vale programar uma parada de 1-2 dias na cidade — algo que não fizemos e sempre nos disseram para fazer.


    Quanto custa uma viagem para Bariloche em família (nosso orçamento real)

    Fomos em grupo grande, o que ajudou bastante a diluir custos de hospedagem, transfer e aluguel de carro. Aqui está o valor aproximado que cada casal gastou:

    ItemValor por casal
    Voos (ida e volta)R$ 4.400
    Hospedagem (7 dias)R$ 1.300
    Transporte localR$ 280
    AlimentaçãoR$ 1.100
    PasseiosR$ 1.200
    Total~R$ 8.300

    Achamos tudo mais caro do que numa viagem anterior a Ushuaia feita pouco mais de 1 ano antes — entre a troca de governo e o aumento da visibilidade turística da cidade, os preços subiram bastante. Nossa dica: estipule um limite de gastos por refeição e por lembrancinhas antes de viajar — isso ajuda a não perder o controle no meio da viagem.


    Onde ficar em Bariloche com crianças

    Arquivo acervo pessoal

    Ficamos na Achalay House, na Rua Tucumán, a duas quadras do centro — uma casa simples, mas bem quentinha e aconchegante. Diária de R$130.

    Nossas recomendações práticas para escolher hospedagem em família:

    • Priorize a localização perto do centro. Isso economiza muito em transporte (Uber, táxi) e permite fazer boa parte dos passeios a pé.
    • Faça reservas com cancelamento gratuito e sem pagamento antecipado. Assim você garante a hospedagem mesmo antes de comprar a passagem, e ajusta as datas depois.
    • Sempre comparamos Booking com Airbnb antes de fechar.

    Como chegar e se locomover em Bariloche com família

    • O Uber funciona muito bem em Bariloche (pague em pesos) e foi nosso principal meio de transporte.
    • Em dias de grande movimento na cidade (como durante um festival), Uber e táxi podem simplesmente parar de aceitar corridas — mais detalhes na seção de erros abaixo.
    • Para o Circuito Chico, alugamos um carro de 7 lugares por um dia na Hertz (~R$100 por pessoa), e valeu muito a pena para ter liberdade de parar onde quiséssemos.
    • Compre um chip internacional antes de viajar. Se não fizer isso, você vai depender de wifi de estabelecimentos para tudo, incluindo se comunicar com seu anfitrião — foi nosso primeiro erro da viagem.

    Roteiro Bariloche com crianças: dia a dia completo

    Dia 1 — Chegada e primeiro contato com a cidade

    Chegada à noite, jantar de pizza (Wesley Bar, ~R$300 para o grupo) e uma nevasca de recepção. Na manhã seguinte, exploramos a cidade a pé: trocamos dinheiro na Western Union, compramos itens básicos no mercado La Anónima (o supermercado mais popular da Argentina) e almoçamos na tradicional La Parrilla de Julián (~R$150 por pessoa — foi aí que decidimos estabelecer um limite de gastos com comida).

    Também visitamos a cafeteria Rapanui, que tem uma pequena pista de gelo — as crianças (e os adultos corajosos) adoraram.

    Dia 2 — Cerro Otto e Confeitaria Giratória

    Fomos de Uber (~R$40) até a famosa confeitaria giratória do Cerro Otto, com vista incrível e neve caindo. Ingresso: $30.000 ARS para adultos, $20.000 ARS para crianças de 6 a 12 anos e idosos acima de 65. Jantar no restaurante Belek, com boa comida e ambiente agradável.

    Arquivo acervo pessoal
    Dia 3 — Cerro Catedral

    Base do Cerro Catedral, ideal para quem não vai esquiar. Compramos um “skybunda” (trenó) para o nosso filho de 4 anos, encontramos alguns morros com neve para ele brincar e almoçamos numa praça de alimentação local — o guiso de lentilhas foi um dos melhores pratos da viagem.

    Dia 4 — Isla Victoria + Bosque de Arrayanes

    Foi o passeio mais aguardado — e também o mais cansativo. O passeio de barco dura cerca de 5 horas, com quase 2h só de navegação de volta. Vale muito pela paisagem (dizem que o Bosque de Arrayanes inspirou Walt Disney para Bambi), mas fique atento: se a cidade estiver em festa (como aconteceu com a Fiesta de la Nieve durante nossa visita), pode faltar Uber e táxi no retorno.

    Arquivo acervo pessoal

    Copramos os ingressos diretamente com a empresa Cau Cau, ela também fornece o transfer, a dica é compre com transfer e não passe perregue!

    Dica: combine a volta com antecedência se for em grupo grande.

    Dia 5 — Piedras Blancas

    Parque Piedras Blancas é um parque de neve com teleférico e trenó, ideal para todas as idades. Ingresso: $25.000 ARS. Fomos de remis (nem Uber nem táxi estavam aceitando corrida naquele dia). Alugamos apenas óculos de neve para nossa filha — o resto (luvas impermeáveis, botas) compramos em lojinhas locais.

    Arquivo acervo pessoal
    Dia 6 — Circuito Chico

    Um dos melhores dias da viagem. Alugamos um carro por um dia (~R$100 por pessoa) e visitamos Punto Panorâmico, Cerro Campanario, Ponte Angostura, Lago Escondido, Playa Bonita e a charmosa Colônia Suíça.

    Se não quiser alugar carro, a melhor opção é comprar seu passeio antecipado, eu indico a Get Your Guide, que tem parceiros validados e experientes, reserve diretamente aqui.

    Arquivo acervo pessoal
    Dia 7 — Despedida e compras

    Últimas compras no La Anônima (dica: baixe o app do supermercado, os programas de fidelidade dão descontos reais — só descobrimos isso no último dia e nos arrependemos) e nas lojinhas tradicionais da Mitre: Mamuska, Rapanui, Havanna.


    O que levar na mala para Bariloche com crianças


    Erros que cometemos (para você não repetir)

    • Não comprar chip internacional antes de embarcar — dependemos de wifi para tudo no primeiro contato com o anfitrião.
    • Não fechar o transfer de volta da Isla Victoria com antecedência — ficamos mais de 1h esperando no porto durante um dia de festa na cidade, sem Uber ou táxi disponível.
    • Não conhecer o app de fidelidade do supermercado La Anônima antes — só descobrimos no último dia, e teria economizado bem mais ao longo da viagem.
    • Não programar parada em Buenos Aires na conexão — recomendação que ouvimos várias vezes e não seguimos.

    Perguntas frequentes sobre Bariloche com crianças

    Bariloche vale a pena com criança pequena? Sim. O parque de neve Piedras Blancas e o Cerro Catedral têm áreas específicas para brincar na neve, e a cidade é estruturada para receber famílias.

    Quantos dias ficar em Bariloche com família? Recomendamos de 5 a 7 dias para conseguir fazer os principais passeios (Cerro Otto, Cerro Catedral, Circuito Chico e Isla Victoria) com calma, sem correria.

    Bariloche é seguro para viajar com crianças? Sim, é uma cidade extremamente segura, com boa estrutura para turistas brasileiros — a língua não costuma ser um problema, já que a cidade recebe brasileiros o ano todo.

    Precisa alugar carro em Bariloche? Não é obrigatório. Usamos Uber, táxi e remis na maior parte da viagem, e alugamos carro apenas por um dia para o Circuito Chico.

    Bariloche está mais caro do que era antes? Na nossa percepção, sim — comparado a uma viagem anterior à região feita pouco mais de um ano antes, os preços estavam visivelmente mais altos, provavelmente por uma combinação de câmbio e aumento da visibilidade turística da cidade.

    Arquivo acervo pessoal

    No geral é super recomendado para famílias, crianças. Quero muito voltar novamente a Bariloche com família novamente.

    Em minhas redes sociais sempre tem atualização e dicas em tempo real. No meu canal no Youtube também posto os relatos das viagens, então quero te ver lá também:

    Instagram: @pattycampossilva / @passepasseando /

    Youtube: Strolling

    Fale conosco: contato@passepasseando.com.br

  • Ushuaia: Roteiro Completo, O Que Fazer e Quantos Dias Ficar

    Ushuaia: Roteiro Completo, O Que Fazer e Quantos Dias Ficar

    Roteiro real de Ushuaia, a cidade do fim do mundo: como chegar, onde ficar, passeios e dicas de quem planejou essa viagem por 2 anos.

    Arquivo – acervo pessoal

    Se você já leu a história de como essa viagem começou, sabe que Ushuaia não foi só mais um destino no mapa — foi o lugar que escolhi para provar a mim mesma que eu era capaz de realizar um sonho sozinha. No fim, fui acompanhada do meu marido, Gustavo, mas a intenção e o planejamento inteiro nasceram de um desejo solo, pesquisado e sonhado por dois anos inteiros antes de finalmente acontecer.

    Neste post, reúno o roteiro completo de Ushuaia: como chegamos, onde ficamos, os passeios que fizemos e tudo que vivemos na cidade mais ao sul do continente — a cidade do fim do mundo.

    Neste post você vai encontrar:

    • Como chegar a Ushuaia (voos e conexão em Buenos Aires)
    • Câmbio: como levamos dinheiro para a viagem
    • Chegada e primeira noite na cidade
    • Onde ficamos
    • Passeio de navegação pelo Canal Beagle
    • Museu do Presídio
    • Trem do Fim do Mundo
    • Glaciar Martial
    • Trilha da Laguna Esmeralda
    • Quando ir: temporada em Ushuaia
    • Frequently asked questions

    Como chegar a Ushuaia

    Existe voo direto do Brasil para Ushuaia, mas a nossa opção foi fazer conexão em Buenos Aires. Voamos pela GOL, em parceria com a Aerolíneas Argentinas, com conexão no aeroporto AEP (Aeroparque Jorge Newbery), o aeroporto doméstico da cidade.

    Dica prática: o ideal é ter pelo menos 4 horas de intervalo entre os voos na conexão, para não correr risco em caso de atrasos — foi a margem que deixamos, e funcionou bem tranquilo.

    Câmbio: como levamos dinheiro para a viagem

    Ainda no aeroporto de Buenos Aires, fomos até o Banco Nación para trocar alguns reais por pesos argentinos. Na Argentina, cartão também é bem aceito, mas ainda costuma valer mais a pena trocar dinheiro em espécie — não necessariamente em bancos ou casas de câmbio tradicionais. Como precisávamos chegar em Ushuaia já com alguns pesos na mão, fizemos essa primeira troca ali mesmo no aeroporto.

    Esse é um assunto que merece bastante atenção — tem toda uma lógica de câmbio na Argentina, incluindo as vantagens e desvantagens de usar a Western Union, que uso e recomendo há anos nas minhas viagens pela Argentina. Detalho tudo isso neste post específico sobre câmbio na Argentina

    Chegada e primeira noite em Ushuaia

    Chegamos à noite em Ushuaia — uma noite fria de maio, com uma leve garoa. O aeroporto já é um charme por si só: construção de madeira, pequeno, mas super aconchegante. Na saída, é fácil conseguir táxi, com valores tabelados.

    A cidade recebe muitos turistas brasileiros, assim como em boa parte da Argentina, o que facilita bastante a comunicação.

    Escolhemos uma hospedagem pelo Booking, bem próxima ao centro — a apenas duas ruas da Avenida San Martín, a rua principal, que concentra agências de turismo, lojas de suvenir e boa parte do movimento da cidade.

    Arquivo – acervo pessoal

    Nessa primeira noite, só guardamos as malas e saímos para explorar a rua principal e tomar um vinho, relaxando da viagem. Andando pela San Martín, eu mal acreditava que estava ali — no lugar que eu tanto sonhei, tanto planejei. Já tinha pesquisado tanto, assistido tantos vídeos, que aquela rua já parecia familiar, como se eu já tivesse estado ali antes.

    A manhã seguinte: as montanhas de Ushuaia

    Na manhã seguinte, eu queria muito ver o nascer do sol — que, nessa época do ano (outono), acontece quase às 9h da manhã. Como chegamos à noite, não tínhamos visto muita coisa da cidade ainda. Mas pela manhã, dava para ver, em todas as direções, montanhas e mais montanhas nevadas.

    Que cidade linda! É impressionante a quantidade de montanhas próximas à cidade — parecem coladas, de tão perto que estão.

    Arquivo – acervo pessoal

    Fomos caminhar pela orla, admirando tudo. Aproveitamos para ir à Western Union trocar mais dinheiro, e passamos no mercado para comprar alguns lanchinhos para levar nos passeios e comer na hospedagem.

    Tenho post dedicado a explicar como funciona o câmbio na Argentina aqui.

    Ainda na orla, já compramos o ingresso para o passeio de navegação pelo Canal Beagle, que eu estava ansiosa para fazer logo naquela tarde. Conto essa experiência com todos os detalhes aqui, e você pode reservar o mesmo passeio aqui diretamente no melhor site de experiências pelo mundo, Get Your Guide.

    Museu do Presídio

    Aproveitamos a manhã livre para visitar o Museu do Presídio, que fica bem próximo ao centro. Vale muito a pena — aprendemos e conhecemos bastante sobre a história da cidade, que está diretamente ligada à antiga colônia penal que deu origem a Ushuaia.

    Também passamos por algumas agências para escolher os demais passeios da viagem, já que não tínhamos fechado nada ainda no Brasil. Isso porque maio não é alta temporada em Ushuaia — a alta temporada vai de novembro a março (verão) e de junho a agosto (inverno, temporada de neve). Se você for viajar num desses períodos, recomendo fechar alguns passeios com antecedência, já que a procura é bem maior.

    Fechamos, para os próximos dias, o Trem do Fim do Mundo e um passeio de mini-trekking em El Calafate, nosso próximo destino na sequência da viagem.

    Passeio de navegação pelo Canal Beagle

    À tarde, fizemos o passeio de navegação pelo Canal Beagle — e foi incrível. Chegamos a avistar baleias durante o trajeto! Foi um dos pontos altos da viagem inteira, e [detalho toda a experiência neste post específico].

    Depois do passeio de barco, fomos descansar na hospedagem, já que na manhã seguinte seria o dia do Trem do Fim do Mundo, e a agência passaria bem cedo para nos buscar.

    Trem do Fim do Mundo

    A agência nos buscou por volta das 6h da manhã. Chegamos à estação e já caía uma tímida neve — nossa primeira experiência com neve caindo naquela viagem, e ficamos super empolgados. A estação em si já é linda, e o passeio foi maravilhoso. [Detalho toda a experiência e a história por trás do trem neste post].

    Glaciar Martial

    Esse passeio de meio dia terminou por volta das 13h, quando a agência nos deixou de volta no centro da cidade. Como tínhamos a tarde livre, tive a ideia de pegar um táxi e visitar o Glaciar Martial, uma montanha bem próxima da cidade — cerca de 15 minutos de táxi, e já estávamos na entrada da trilha, em frente a uma charmosa casa de chá que fica no alto da montanha.

    Foi ali que começamos a ver neve de verdade. Foi um fim de tarde cheio de experiências, que [relato com todos os detalhes neste post].

    Para voltar à cidade, foi bem tranquilo — havia táxi disponível, e retornamos à hospedagem. Jantamos num restaurante com parrilla que o taxista local indicou, e amamos a experiência.

    Trilha da Laguna Esmeralda

    Nosso último dia inteiro em Ushuaia foi dedicado à trilha para a Laguna Esmeralda. Quando eu pensava em fazer essa viagem sozinha, esse era um dos lugares que eu mais queria conhecer — mas, planejando ir sem companhia, acabei tirando essa trilha do roteiro por insegurança, mesmo sabendo que existia a possibilidade de ir com agência.

    Como no fim das contas fui acompanhada pelo meu marido, a trilha voltou com tudo para o roteiro. Esse é mais um daqueles lugares que pesquisei tanto, vi tantos vídeos, que parecia que eu já conhecia como a palma da minha mão.

    Pegamos um transfer na orla que nos deixou na entrada da trilha. Decidimos arriscar ir sem guia — não recomendo essa escolha, e [conto o porquê, com toda a experiência e o que poderia ter dado errado, neste post específico].

    Mesmo assim, deu tudo certo e foi perfeito. O caminho, de aproximadamente 5km, é relativamente tranquilo, mas impressionantemente lindo. A laguna estava parcialmente congelada — maio é outono na região, e o frio só aumenta a partir dali. O retorno dos 5km foi tão bom quanto a ida, e ao chegar ao final da trilha, esperamos um pouco até que chegasse o transfer de volta à cidade, que já tem horários pré-definidos.

    De volta à cidade, fomos direto descansar — o dia tinha sido bem intenso.

    Último dia: San Martín e despedida

    Nosso voo saía por volta das 11h do último dia. Aproveitamos a manhã para voltar à San Martín, comprar as últimas lembrancinhas, e seguimos para El Calafate, nosso próximo destino — [que vocês vão conhecer em detalhes aqui].


    Quando ir a Ushuaia: entendendo a temporada

    Fomos em maio, no outono, fora da alta temporada. Isso trouxe vantagens (menos gente, mais facilidade para fechar passeios na própria cidade) e algumas particularidades (nem tudo estava tão nevado quanto seria no inverno). A alta temporada em Ushuaia se divide em dois momentos: novembro a março, verão no hemisfério sul, e junho a agosto, inverno e temporada de neve mais intensa. Se você for viajar nesses períodos, vale fechar alguns passeios com antecedência, já que a procura aumenta bastante.

    Arquivo – acervo pessoal

    Frequently asked questions

    Vale a pena fazer conexão em Buenos Aires para chegar a Ushuaia? Existe voo direto do Brasil, mas a conexão em Buenos Aires também funciona bem, especialmente se você já planeja aproveitar para trocar dinheiro ou conhecer um pouco da cidade durante a escala. O importante é deixar uma margem segura entre os voos — recomendamos pelo menos 4 horas.

    Precisa fechar os passeios de Ushuaia com antecedência? Depende da época. Fora da alta temporada (como fizemos, em maio), é tranquilo fechar tudo já na cidade, direto nas agências. Na alta temporada (novembro a março ou junho a agosto), vale reservar com mais antecedência.

    Dá para fazer a trilha da Laguna Esmeralda sem guia? É possível, mas não recomendamos — no post específico sobre essa trilha, explico os riscos e o que poderia ter dado errado com a gente.

    Vale a pena visitar o Glaciar Martial? Sim, principalmente se você tiver uma tarde livre na cidade. Fica bem próximo do centro (cerca de 15 minutos de táxi) e já entrega neve de verdade e paisagens lindas, sem precisar de um dia inteiro de passeio.

    Em minhas redes sociais sempre tem atualização e dicas em tempo real. No meu canal no Youtube também posto os relatos das viagens, então quero te ver lá também: Instagram: @pattycampossilva / @passepasseando /
    Youtube: Passe Passeando
    Fale conosco: contato@passepasseando.com.br

  • A Viagem em Família que Mudou Nosso Jeito de Viajar

    A Viagem em Família que Mudou Nosso Jeito de Viajar

    A história por trás da nossa primeira viagem internacional: por que decidi ir sozinha para Ushuaia e El Calafate, e como isso mudou nossa família.


    Arquivo acervo pessoal

    Antes de qualquer roteiro, qualquer dica de hospedagem ou lista de passeios, tem uma história que precisa ser contada primeiro — porque foi ela que deu origem a tudo o que esse blog é hoje. Essa não é a história de uma viagem. É a história de uma decisão que mudou a forma como nossa família enxerga o mundo.

    De onde eu venho

    Vim de uma família humilde e muito batalhadora. Meus pais conseguiram nos dar o suficiente para uma vida digna — sem luxos extremos, mas com todas as necessidades supridas. Viajar simplesmente não fazia parte da nossa realidade. Não sei bem explicar o motivo — talvez fosse cultural — mas não era comum ver as pessoas ao nosso redor viajando, falando sobre viagens, se planejando para conhecer lugares novos. Isso parecia coisa de gente muito rica, um mundo distante do nosso.

    Foi só com a nossa geração, com a chegada da tecnologia e principalmente da internet, que viajar começou a parecer mais acessível, mais possível, mais desejável.

    Os anos que passaram

    Minha primeira filha, Letícia, nasceu em 2011, quando eu tinha 28 anos, cheia de energia. Ela foi um bebê muito tranquilo — dormia bem à noite, sempre “de boa”. Eu sempre quis ter dois filhos, e mesmo com uma filha tão fácil, fui adiando o segundo. Às vezes a desculpa era a idade dela, ainda muito pequena. Às vezes era uma questão financeira. Às vezes era minha carga horária de trabalho. Às vezes, a falta de uma rede de apoio.

    Os anos foram passando dessa forma, até que coloquei um limite para mim mesma: precisava ter o segundo filho até os 35 anos, ou não teria mais. Quando os 35 chegaram, tirei o DIU e começamos a tentar. Passaram-se meses, e nada. Um ano, e nada. Até que, finalmente, veio a notícia: estávamos esperando um bebê.

    Mas nos exames, algo não estava certo. Faltava o som dos batimentos cardíacos. Esperamos, refizemos os exames, e a confirmação veio: a gestação não havia evoluído, e perdemos aquele bebê. Foi um momento de muita dor, que me abalou profundamente. Mesmo assim, seguimos as recomendações médicas e continuamos tentando. Poucos meses depois, veio a notícia de uma nova gestação — e dessa vez, tudo certo. Em 2020, chegou nosso Samuel: um bebê grande, forte, e uma versão bem diferente de irmã mais velha tranquila que tínhamos vivido com a Letícia.

    Uma mãe em outra fase da vida

    Arquivo acervo pessoal

    Samuel foi um bebê bem mais chorão, que não dormia tão bem quanto a irmã — super saudável, mas com uma personalidade que exigia muito mais de mim. Quando ele completou 2 anos, eu já estava com 38, numa fase hormonal diferente, me sentindo mais cansada do que nunca.

    Essa combinação despertou em mim uma necessidade que eu não sabia nomear direito na época: a necessidade de me reconectar comigo mesma. De ter um momento só meu. De lembrar que eu era capaz de fazer algo só para mim, por mim — porque eu sentia que, em algum momento no meio da rotina de cuidar de todo mundo, eu tinha me deixado de lado. Esquecido do que eu gostava. De quem eu era antes de ser só “mãe”.

    A decisão de viajar sozinha

    Não me lembro exatamente como a ideia surgiu, mas decidi que queria fazer uma viagem sozinha. Sozinha mesmo — sem marido, sem filhos, sem amigos, sem grupo, sem ninguém. Só eu e a minha própria companhia.

    Mas para onde? Aí começou outro dilema. Eu não queria ir para um destino onde não me sentisse segura estando sozinha. Nada de praia, nada de resort, nada de lugar isolado.

    Foi então que, por acaso, apareceu na minha timeline algo sobre uma geleira — um gelo glacial, aqui do lado do Brasil, onde as pessoas caminhavam por uma passarela e ficavam frente a frente com aquela imensidão de gelo. Na hora, pensei: é isso que eu quero ver. Era o Perito Moreno, em El Calafate, na Argentina.

    Comecei a consumir vídeo atrás de vídeo, buscando informações sobre a região, e descobri que a combinação perfeita para essa viagem seria incluir também Ushuaia — a cidade do fim do mundo.

    Avisando (e sendo ignorada)

    Comecei a me planejar — e a avisar. Sim, avisei com antecedência que precisava fazer aquilo, que ia fazer isso por mim. Eu precisava provar para mim mesma que, se eu era capaz de cuidar da minha família inteira, também era capaz de fazer algo por mim. Capaz de realizar meus próprios sonhos, através do meu próprio trabalho, do meu próprio dinheiro. Sair sozinha pela primeira vez. Primeira vez em outro país, sozinha. E, com muita determinação, coloquei essa viagem como meta para o meu presente de 40 anos. Tinha dois anos inteiros para organizar tudo.

    Meu marido nunca acreditou que eu tivesse coragem de verdade — até o dia em que emiti as passagens. Ele nunca tentou entender de fato a motivação por trás daquilo, como seria, quando seria. Mas o dia chegou.

    Sempre que eu pesquisava, fazia reservas, via os passeios disponíveis, uma parte de mim pensava: “poxa, eu vou vivenciar tudo isso sozinha? Sem as pessoas que eu amo?” No fundo, não achava justo. Cheguei a falar para ele: “vem comigo, você quer ir?” Mostrava vídeos, tentava despertar o interesse dele. Mas ele não demonstrava interesse nenhum, e continuava duvidando — sempre dizendo que não dava, que ia atrapalhar financeiramente, sem nem ao menos saber quanto custaria a viagem.

    O dia em que comprei a passagem

    Quando finalmente comprei a passagem, mandei para ele ver. Ele ficou uma semana emburrado, sem acreditar que eu realmente tinha feito aquilo — mesmo eu tendo avisado por anos que faria. Ainda assim, insisti para que ele fosse. Ele questionou como iria, se nem sabia quando seria, quanto custaria.

    Calmamente, planilhei tudo e mostrei que eu não estava fazendo nenhuma loucura. Eu sabia exatamente como sairíamos daqui, por onde chegaríamos, o que fazer, onde ficar, onde comer, como pagar. Eu tinha o controle da situação. Eu não estava sendo impulsiva viajando sozinha para fora do país — eu sabia exatamente o que estava fazendo.

    E assim, ele topou. Corri para comprar a passagem dele também, incluí-lo nas hospedagens que eu já tinha reservado. E foi por esse atrevimento meu que nossa vida mudou completamente.

    O que essa viagem nos ensinou

    Eu realizei um sonho. Mas foi chegando lá que ele começou a sonhar também — pela primeira vez, ele mesmo, com seus próprios olhos, diante daquela paisagem que só tínhamos visto em vídeo até então.

    Foi depois de Ushuaia que nossa mente se abriu de verdade. Essa viagem nos mostrou que tudo é possível com planejamento e muita coragem. Nos mostrou que o mundo é muito maior do que imaginávamos, e que cada cantinho dele está pronto, esperando para ser conhecido.

    Hoje, olhando para trás, entendo que essa não foi apenas uma viagem para ver uma geleira. Foi o momento em que decidi que eu ainda existia, além de todos os papéis que eu exercia todos os dias. E foi essa decisão — de ir, mesmo com medo, mesmo sem apoio no começo, mesmo não sabendo exatamente como tudo terminaria — que abriu a porta para tudo que viveríamos como família depois: Bariloche, Itália, Portugal, o cruzeiro pelo Nordeste, e tantas outras viagens que ainda estão por vir.

    Se você está numa fase parecida com a que eu estava — se sentindo esquecida no meio da correria de cuidar de todo mundo, com vontade de fazer algo só seu, mas sem saber bem como ou se teria coragem — deixo aqui o que aprendi: às vezes, a única forma de descobrir se você é capaz é simplesmente comprando a passagem.

    Por que decidi contar essa história aqui

    Esse blog nasceu para compartilhar roteiros, dicas práticas e experiências reais de viagem em família. Mas antes de qualquer dica prática, achei importante você entender de onde tudo isso vem. Não fui criada numa família de viajantes. Não tive, durante a maior parte da minha vida adulta, a menor ideia de que sairia do Brasil sozinha um dia, muito menos que voltaria de lá com meu marido finalmente enxergando o mesmo sonho que eu já carregava havia anos.

    Se esse blog puder ajudar mais alguma família a se planejar, a economizar, a evitar os perrengues que já passamos, ótimo — é exatamente para isso que ele existe. Mas se, além disso, puder inspirar alguém que está na mesma encruzilhada em que eu estive — desejando algo só para si, mas sem coragem de dar o primeiro passo — esse post já terá cumprido seu propósito.


    O que vem a seguir

    Esse foi só o começo da história. Nos próximos posts, vou contar como foi de verdade a viagem: a chegada a Ushuaia, o dia em frente ao Perito Moreno em El Calafate, os passeios, os aprendizados práticos e, claro, todos os detalhes de roteiro para quem quiser viver uma experiência parecida com a nossa.


    Em minhas redes sociais sempre atualização e dicas em tempo real, meu canal no Youtube também posto os relatos das viagens, então quero te ver lá também:

    Instagram: @pattycampossilva / @passepasseando

    Youtube: Strolling