Relato real de 3 dias em El Calafate: passeio de 4×4 pelos pampas, mini trekking no Perito Moreno e dicas de restaurantes. Veja como foi.

No fim das contas, como já contei no post sobre Ushuaia, fui acompanhada pelo meu marido, Gustavo — e foi justamente em El Calafate que ele começou a se apaixonar pela viagem tanto quanto eu já estava. Depois de passar quatro dias em Ushuaia, pegamos um voo de pouco mais de 1h20min até El Calafate, prontos para viver o que viria a ser um dos capítulos mais marcantes de toda a viagem — dessa vez, os dois juntos.
Já tinha fechado alguns passeios com uma agência de brasileiros ainda em Ushuaia, e no post de hoje conto como foram nossos três dias completos na cidade — do passeio de 4×4 pelos pampas até o mini trekking em cima do próprio glaciar.
Neste post você vai encontrar:
- Como chegamos a El Calafate
- Dia 1: passeio de 4×4 pelos pampas e jantar na caverna
- Dia 2: Perito Moreno — passarelas e mini trekking no gelo
- Dia 3: dia livre na cidade, o lago e as últimas compras
- Onde comemos: Isabel Cocina e Big Pizza
- Volta ao Brasil
- Frequently asked questions
Como chegamos a El Calafate
O voo saindo de Ushuaia é rápido — pouco mais de 1h20min de duração. Ficamos hospedados bem no centro da cidade, o que facilitou muito, já que El Calafate não é uma cidade grande e dá para resolver praticamente tudo a pé.
Dia 1: passeio de 4×4 pelos pampas e jantar na caverna

Nosso primeiro passeio já estava fechado para o mesmo dia da chegada: um passeio de 4×4 rodando pelos pampas da Patagônia, na região de El Calafate. O roteiro passa por alguns sítios arqueológicos, onde o guia vai contando toda a história do descobrimento e dos povos nativos da região, incluindo paradas em pontos com pinturas rupestres, enquanto ele explica sobre a civilização que habitava aquele território. Ele também conta um pouco da história do Lago Argentino, o grande lago que banha a cidade.
O passeio fecha com um jantar dentro de uma caverna equipada para receber um grupo pequeno de visitantes, de frente para o Lago Argentino. Era uma noite bem gelada, e a agência oferece um poncho e uma cobertura para ajudar com o frio — já que ficamos bem afastados da cidade, num lugar aberto em frente ao lago, embora o jantar em si aconteça dentro da própria caverna.

O chef prepara tudo na hora: começa com um caldinho quente e saboroso, acompanhado de vinho ou refrigerante. Na sequência, vem o prato principal — um guiso, prato típico da Patagônia, servido dentro de um pão. É uma comida bem reconfortante, com pedaços de carne, cogumelos e legumes, do tipo que dá vontade de repetir. Para fechar, uma sobremesa servida num potinho pequeno: doce de leite argentino.
Foi uma experiência incrível, cercados de pessoas do mundo todo — é um passeio bem turístico, no bom sentido. Depois do jantar, o mesmo veículo 4×4 nos levou de volta ao ponto de encontro no centro da cidade, enquanto outro grupo já chegava para viver a mesma experiência.
Recomendo muito esse passeio, tanto para casais quanto para famílias. A dica principal é: se agasalhe bem, mesmo com o poncho oferecido pela agência — o vento do outono (ou da época do ano em que você for) pode ser bem intenso, e isso pode impactar o conforto de um passeio que, de resto, é simplesmente incrível.
Dia 2: Perito Moreno — passarelas e mini trekking no gelo

No dia seguinte, já tinha fechado o passeio para conhecer o Perito Moreno. O trajeto inclui um transfer de cerca de 80 km até o Parque Nacional Los Glaciares, onde a geleira fica. Assim que chegamos ao parque, fizemos o pagamento à parte da entrada — vale sempre confirmar o valor atualizado antes de ir, já que os preços na Argentina mudam com frequência.
Ainda dentro do parque, caminhamos cerca de 15 minutos até chegar à entrada das passarelas — e já dava para avistar o Perito Moreno ao fundo, o suficiente para as primeiras fotos. Tivemos sorte com o clima: fazia frio, mas o dia estava aberto, com aquele contraste lindo entre o céu azul limpo, a vegetação em tons de outono (um verde mais alaranjado) e a geleira impressionantemente branca, com vários tons de azul, refletindo no lago.

Nas passarelas, ficamos livres — o guia explicou que teríamos cerca de 1h a 1h30 para caminhar por conta própria antes de seguir para a trilha que dá acesso ao gelo propriamente dito. As passarelas têm vários quilômetros de extensão e caminhos diferentes, permitindo ver o Perito Moreno de vários ângulos. O tempo inteiro, você escuta estrondos — nem sempre é um desprendimento de gelo acontecendo, mas o som, parecido com um trovão, é constante.
Só as passarelas já valem o passeio, mesmo para quem não quiser fazer o mini trekking. Mas fizemos uma pequena trilha, com o guia explicando que o Perito Moreno já foi bem mais avançado do que é hoje — já teve recuo ao longo do tempo. Depois dessa trilha, chegamos até as encostas do glaciar, onde uma equipe de apoio nos colocou os grampons nos calçados e os capacetes, com todas as instruções de segurança para o mini trekking.

Diferente do que eu imaginava, não senti tanto frio em cima da geleira — o dia estava com sol, então foi bem confortável, mas ainda assim essencial usar protetor solar, protetor labial, óculos de sol, luvas impermeáveis e calçado também impermeável, seguindo todas as orientações do guia.
Foi um passeio incrível — me senti super segura o tempo todo, sem nada que causasse preocupação, desde que a gente seguisse tudo certinho. É difícil descrever a sensação de caminhar por um glaciar milenar. Em determinado ponto do trajeto, passamos por dentro de um túnel de gelo formado naturalmente. No final do mini trekking, um dos guias coletou um pouco do gelo do próprio glaciar e fizemos um brinde — algumas pessoas com uísque, outras com chocolate quente ou refrigerante. A nossa agência ainda deu um chocolatinho para encerrar.

Depois do trekking, retornamos ao ponto de encontro e voltamos de transfer para a cidade — um passeio de dia inteiro, cansativo, mas absolutamente inesquecível.
Dia 3: dia livre na cidade, o lago e as últimas compras
No terceiro dia, deixamos livre para explorar El Calafate por conta própria. Caminhamos pelas ruas, fizemos as últimas compras — muito vinho, alfajores e lembrancinhas comprados no mercado — e reservamos boa parte do dia para caminhar ao redor do Lago Argentino, que tem um caminho que dá para trilhar bem à beira d’água.
Andamos bastante pelo trajeto ao redor do lago (e ainda faltou percorrer bastante, porque é realmente extenso). Ao longo do caminho, avistamos flamingos e até alguns cavalos que pareciam ser selvagens — uma paisagem bem bonita e inesperada para quem só conhecia El Calafate pelas fotos do Perito Moreno.
A cidade em si é muito bonita, com um parque que, pelo que vi em fotos, fica completamente nevado no inverno. Também visitamos um museu na cidade. Ficaram de fora alguns outros atrativos que não deu tempo de fazer — mas nesse último dia, o foco foi mesmo em curtir a cidade com calma: conhecer as ruas, a vegetação local, e aproveitar para tirar fotos sem pressa.
Onde comemos: Isabel Cocina e Big Pizza
Duas recomendações de restaurante que valem registrar da nossa passagem por El Calafate: Isabel Cocina e Big Pizza. Os dois entraram no nosso roteiro de refeições durante os dias na cidade, e recomendamos como boas opções para quem estiver por lá.
Volta ao Brasil
No dia seguinte ao nosso terceiro dia completo em El Calafate, já retornamos ao Brasil, seguindo a mesma lógica da ida: fizemos uma conexão em Buenos Aires antes de seguir para casa.
Frequently asked questions
Quanto tempo dura o voo de Ushuaia até El Calafate? Pouco mais de 1h20min, o que torna essa combinação de destinos bastante prática dentro de um roteiro pela Patagônia Argentina.
O mini trekking no Perito Moreno é seguro? Sim, desde que você siga todas as orientações da equipe de guias — uso de grampons, capacete e equipamento de proteção adequado. Na nossa experiência, nos sentimos seguros o tempo todo.
É preciso ser experiente para fazer o mini trekking? Não. É um passeio guiado, com toda a instrução de segurança repassada antes do início, adequado para quem nunca pisou numa geleira antes.
Vale a pena fazer as passarelas do Perito Moreno mesmo sem fazer o trekking? Sim, com certeza. As passarelas por si só já garantem uma experiência completa, com vistas incríveis da geleira de vários ângulos — o trekking é um complemento e tanto, mas não obrigatório para aproveitar o passeio.Vale a pena o passeio de 4×4 pelos pampas com jantar na caverna? Sim, recomendamos bastante, tanto para casais quanto para famílias. É uma experiência única, mas vale se agasalhar bem, já que o frio (principalmente o vento) pode ser intenso dependendo da época do ano.
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