El Calafate: como chegar, onde ficar, o que fazer, melhor época e dicas para viajar em família até a porta de entrada do Perito Moreno.

Depois de Ushuaia, El Calafate foi o segundo destino da nossa viagem pela Patagônia Argentina — e não é exagero dizer que é praticamente uma parada obrigatória para quem quer conhecer de perto uma das geleiras mais impressionantes do planeta, o Perito Moreno. Antes de contar como foi nossa experiência lá (isso vai virar outro post, com todos os detalhes do que vivemos), decidi montar primeiro esse guia geral: onde fica a cidade, como chegar, o que fazer, onde ficar, onde comer e tudo o que vale saber antes de organizar sua própria viagem.
Neste post você vai encontrar:
- Onde fica El Calafate
- Com quais cidades ela se conecta
- Como chegar
- O que fazer no geral
- Onde ficar
- Onde comer
- Vale a pena ir com família e crianças?
- Melhor época para visitar
- Atividades gratuitas
- Atividades pagas
- Curiosidades sobre a cidade
- Frequently asked questions
Onde fica El Calafate
El Calafate é uma cidade da província de Santa Cruz, na Patagônia argentina, situada às margens do Lago Argentino — o maior lago da Argentina. A cidade funciona como a principal porta de entrada para o Parque Nacional Los Glaciares, que abriga o famoso Glaciar Perito Moreno, além de outras geleiras menos visitadas, como a Upsala e a Spegazzini.
Apesar de estar em pleno território patagônico, El Calafate tem uma característica curiosa em relação aos outros grandes destinos da região: sua baixa temporada acontece justamente no inverno, ao contrário de cidades como Ushuaia e Bariloche, que vivem do turismo de neve nessa época. Isso porque El Calafate não é um destino de esqui — no inverno, o frio intenso e as condições climáticas mais instáveis chegam a suspender alguns dos passeios mais procurados, como a caminhada sobre o próprio glaciar.
Com quais cidades El Calafate se conecta

El Calafate costuma aparecer em roteiros combinados com outros destinos da Patagônia, e essa foi exatamente a nossa lógica de viagem também. As conexões mais comuns são:
- Ushuaia: existem voos diretos entre as duas cidades, o que torna essa combinação bastante popular entre quem quer conhecer “o fim do mundo” e o Perito Moreno na mesma viagem — foi o trajeto que fizemos.
- Bariloche: outra combinação clássica dentro da Patagônia Argentina, também com voos diretos disponíveis.
- Buenos Aires: a maioria dos viajantes brasileiros passa por Buenos Aires antes de seguir para El Calafate, seja como conexão rápida, seja aproveitando para conhecer a capital argentina por alguns dias.
- El Chaltén: cidade vizinha, famosa pelo trekking até o Monte Fitz Roy, geralmente visitada como um bate-volta ou extensão de poucos dias a partir de El Calafate.
Como chegar
A forma mais prática de chegar a El Calafate é de avião, através do Aeroporto Internacional Comandante Armando Tola (FTE), que recebe voos diários vindos de Buenos Aires e de outras cidades patagônicas, como Ushuaia e Bariloche, especialmente durante a temporada de maior movimento.
O aeroporto fica a cerca de 21 km do centro da cidade, e o deslocamento até lá pode ser feito de táxi, transfer compartilhado ou carro alugado — nós optamos por transfer, que costuma ser a opção mais tranquila para quem chega de viagem com bagagem.
Existem alternativas por terra, como ônibus saindo de Buenos Aires, mas o trajeto ultrapassa 40 horas de viagem, o que praticamente inviabiliza essa opção para quem tem pouco tempo disponível. Também é possível voar até a cidade de Rio Gallegos e seguir por terra até El Calafate, mas essa rota é bem menos usada do que o voo direto.
O que fazer no geral
Embora o Perito Moreno seja, sem dúvida, a grande estrela da região (e mereça um post só para ele), El Calafate tem uma série de outras atrações que valem a pena, tanto dentro da cidade quanto nos arredores:
- Glaciarium, um museu interativo dedicado ao gelo e às geleiras da Patagônia, com direito a um bar de gelo dentro do próprio espaço;
- Cerro Frías, montanha com vista panorâmica da cidade e do Lago Argentino, acessível de carro até a base e depois a pé, a cavalo ou de teleférico;
- Reserva Laguna Nimez, uma área natural protegida dentro do próprio perímetro urbano, ótima para observação de aves;
- Costanera Presidente Néstor Kirchner, o charmoso passeio à beira do Lago Argentino, onde ficam as famosas letras gigantes com o nome da cidade;
- Passeios de navegação pelos braços do Lago Argentino, incluindo opções que levam até outras geleiras, como a Upsala e a Spegazzini, para quem quer ver mais do que só o Perito Moreno.
Onde ficar

Na nossa viagem, ficamos nas Cabañas Matices, uma opção de hospedagem que recomendamos bastante — cabanas confortáveis, com boa estrutura para quem quer um pouco mais de conforto e privacidade do que um hotel tradicional, ideal para famílias ou grupos que preferem ter espaço próprio durante a estadia.
De forma geral, El Calafate tem uma boa variedade de hospedagem, de hostels mais econômicos a hotéis de categoria superior, a maioria concentrada próxima à Avenida Libertador, a rua principal da cidade, que reúne boa parte do comércio, agências de turismo e restaurantes.
Onde comer
A gastronomia de El Calafate gira bastante em torno da culinária patagônica — com destaque para o cordeiro patagônico – PUNTA ARGENTINA, presente em boa parte dos restaurantes tradicionais da cidade, muitas vezes preparado no espeto, ao estilo das parrillas argentinas – Los Baguales Parrilla y Tenedor Libre.Também vale experimentar pratos com truta – Sergio Restaurant y Marisquería
e cordeiro – Isabel Cocina al Disco que por sinal foi uma das melhores escolha que tivemos, mesmo não optando pelo cordeiro, escolhemos jantar um guiso, comida típica da patagônica também, típicos da região, além da tradicional carne argentina em geral.
A Avenida Libertador concentra a maior parte das opções de restaurantes, cafés e casas de chocolate — vale reservar um tempo para passear por ali, já que é também onde fica boa parte do comércio de lembrancinhas da cidade.

Vale a pena ir com família e crianças?
Sim, El Calafate é um destino que funciona muito bem em família. A cidade tem boa infraestrutura turística, os passeios principais (como as passarelas do Perito Moreno) são acessíveis sem exigir preparo físico especial, e há opções de passeio para todos os perfis — das trilhas mais leves na Reserva Laguna Nimez até experiências mais intensas, como o trekking sobre o próprio glaciar, para quem tiver interesse e condicionamento físico adequado.
Para famílias com crianças pequenas, vale escolher hospedagem com boa estrutura (como cabanas ou apart-hotéis, que costumam oferecer mais espaço do que quartos de hotel convencionais) e priorizar os passeios mais acessíveis, deixando as atividades mais físicas, como trekkings mais longos, para quando as crianças forem um pouco maiores.
Melhor época para visitar
A melhor época para visitar El Calafate vai, de forma geral, de outubro a abril, quando as temperaturas são mais amenas e as principais atrações naturais estão totalmente acessíveis. Dentro desse período, cada estação entrega uma experiência diferente:
- Verão (dezembro a fevereiro): é a alta temporada, com dias bem longos (o sol nasce por volta das 5h30 e só se põe perto das 23h) e temperaturas mais agradáveis para trekking e atividades ao ar livre. É também quando a cidade recebe o maior volume de turistas, então vale reservar passeios e hospedagem com antecedência.
- Outono (março a maio): paisagens em tons dourados e avermelhados, além de preços geralmente melhores do que no verão.
- Inverno (junho a agosto): baixa temporada na cidade, com neve, cenário mais dramático — mas também com menos opções de passeio disponíveis, já que algumas atividades (incluindo o trekking sobre o glaciar) costumam ser suspensas por questões de segurança.
- Primavera (setembro a novembro): um bom equilíbrio entre preço, clima e disponibilidade de atividades.
Dica prática: mesmo em pleno verão, vale levar roupa em camadas, corta-vento e protetor solar — o clima patagônico é imprevisível, e é comum enfrentar sol forte, vento e frio no mesmo dia.
Atividades gratuitas
- Costanera Presidente Néstor Kirchner: o passeio à beira do Lago Argentino é livre e gratuito, com vista bonita e as famosas letras da cidade para fotos.
- Caminhada pelo centro da cidade e Avenida Libertador: passear pelas lojinhas, cafés e casas de chocolate não tem custo de entrada.
- Observação da paisagem do Lago Argentino em diversos pontos ao longo da costanera.
Atividades pagas
- Reserva Laguna Nimez: cobra entrada (o pagamento costuma ser feito apenas em dinheiro, em pesos argentinos), com valor mais baixo para residentes locais e entrada gratuita para menores de 18 anos.
- Glaciarium: museu com ingresso pago, incluindo a possibilidade de visitar o bar de gelo dentro do espaço, mediante taxa adicional.
- Passarelas do Perito Moreno: entrada paga ao Parque Nacional Los Glaciares, com valor que costuma ser cobrado à parte do transporte até lá.
- Trekking sobre o glaciar (mini trekking ou big ice): uma das experiências mais procuradas da região, com preço mais alto do que os demais passeios, por incluir equipamento especializado e guias.
- Cerro Frías: cobrança para acesso à base da montanha e, dependendo da opção escolhida, para a subida de teleférico ou passeio a cavalo.
- Navegação pelos braços do Lago Argentino: passeios de barco até outras geleiras da região, com valores que variam bastante conforme a duração e o roteiro escolhido.
Curiosidades sobre El Calafate
- O nome da cidade vem do calafate, um arbusto nativo da Patagônia que produz uma pequena fruta roxa e azulada, muito usada na culinária local (em geleias, licores e sobremesas). Existe até uma lenda regional que diz que quem come a fruta do calafate está destinado a voltar à Patagônia um dia.
- A Reserva Laguna Nimez é uma das primeiras reservas naturais urbanas municipais criadas na Argentina, e abriga um número impressionante de espécies de aves registradas ao longo dos anos — um verdadeiro paraíso para quem gosta de observação de pássaros, mesmo sem sair do perímetro da cidade.
- Apesar de estar cercada por paisagens tipicamente geladas e associada ao imaginário de “fim do mundo” da Patagônia, El Calafate tem clima seco, com baixa umidade — bem diferente do que muita gente imagina antes de visitar a região pela primeira vez.
Frequently asked questions
El Calafate fica perto de Ushuaia? Existem voos diretos entre as duas cidades, e essa é uma das combinações mais populares para quem quer conhecer a Patagônia Argentina numa única viagem — foi o trajeto que fizemos.
Precisa de passaporte para ir a El Calafate? Não necessariamente. Por ser um destino do Mercosul, brasileiros podem entrar na Argentina apenas com o RG em bom estado, para fins de turismo.
Vale a pena visitar El Calafate no inverno? É possível, mas com ressalvas — algumas atividades, incluindo o trekking sobre o glaciar, costumam ser suspensas nessa época, e a cidade opera com estrutura reduzida por ser baixa temporada local.
Quantos dias vale a pena ficar em El Calafate? Depende do roteiro, mas de 3 a 4 dias costuma ser suficiente para conhecer o Perito Moreno com calma e ainda incluir passeios pela cidade e arredores.
El Calafate é um bom destino para viajar com crianças? Sim, a cidade tem boa infraestrutura turística e passeios acessíveis para diferentes idades, especialmente as passarelas do Perito Moreno, que não exigem preparo físico especial.
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